Boletins de Ocorrência Rasurados Reacendem Dúvidas no Caso Varginha Após Três Décadas
Trinta anos após o episódio conhecido como Caso Varginha, um dos pontos que mais levanta questionamentos permanece nos registros oficiais feitos no dia 20 de janeiro de 1996. Boletins de ocorrência da época apresentam rasuras, renumerações e lacunas, o que, segundo pesquisadores, dificulta a reconstituição completa dos fatos que projetaram a cidade mineira internacionalmente.
Inconsistências nos Documentos Policiais
Por meio da Lei de Acesso à Informação, um pesquisador conseguiu cópias dos boletins registrados naquele dia. A análise dos documentos revelou inconsistências nos números sequenciais e a ausência de parte dos registros que, originalmente, deveriam constar nos arquivos da polícia.
O pesquisador de fenômenos anômalos Rony Vernet destacou o problema: "Se a gente pega os boletins que existem do dia 20, só existem nove. Quando você observa os números sequenciais, vê que todos foram rasurados, corrigidos com corretivo e renumerados. Além disso, conseguimos os originais, com a numeração inicial, e percebemos que 19 boletins simplesmente desapareceram. Por que esses boletins foram removidos?"
Segundo ele, os registros existentes mostram uma lacuna significativa no período da manhã. Há um boletim por volta das 10h e, depois, os próximos registros só aparecem à noite.
Explicações e Negativas das Autoridades
O ex-comandante do Corpo de Bombeiros em Varginha, Pedro Alvarenga, afirma que não houve tentativa de ocultar ocorrências e atribui as inconsistências a falhas comuns nos registros manuais. "As ocorrências não eram digitalizadas, era tudo feito à mão. Se tivesse erro em uma numeração, às vezes era preciso corrigir várias. Isso pode ter acontecido naquele dia", explicou.
Ele também nega que qualquer atendimento fora do comum pudesse ter sido escondido da corporação. "Não teria como o pessoal ter feito um atendimento desse tipo e ficar escondido. Se tivesse acontecido algo extraordinário, isso teria virado comentário entre nós. Não tinha como guardar um segredo assim", afirmou.
Movimentação do Exército e Relatos de Moradores
Um dos pontos mais citados sobre o caso envolve a presença de caminhões do Exército, ligados à Escola de Sargentos das Armas, circulando por Varginha, especialmente na região do bairro Jardim Andere, no dia 20 de janeiro de 1996 e nos dias seguintes.
Moradores afirmam que viaturas militares, polícia e Corpo de Bombeiros teriam isolado áreas da cidade. O cafeicultor Tiago Rezende relatou: "Varginha parou. A cidade parou na época, porque teve o movimento da ESA. O Exército cercou um bairro, polícia, Corpo de Bombeiros, tudo parou. Fechou, isolou todo mundo, nem os moradores conseguiam entrar ou sair".
As movimentações militares motivaram a abertura de um Inquérito Policial Militar, com quase 400 páginas e depoimentos de 26 pessoas. Segundo o relatório, os caminhões estavam na cidade para manutenção mecânica em uma concessionária.
Morte do Policial e Laudos Médicos
Ufólogos sustentam que, na noite do dia 20 de janeiro, uma viatura da Polícia Militar teria se deparado com uma suposta criatura. Um dos policiais, Marco Eli Chereze, teria participado da captura e morreu 26 dias depois, aos 23 anos.
O laudo oficial aponta que ele morreu por embolia pulmonar, com insuficiência de oxigênio no coração e congestão no fígado. Outro médico legista, João Baptista Macuco Janini, declarou que nunca viu um caso semelhante em décadas de carreira: "A bactéria se disseminou pelo organismo. Com mais de 50 mil autópsias, eu nunca vi nada igual. A bactéria estava na unha do ET".
Testemunhas Cobram Reconhecimento Oficial
Passadas três décadas, as mulheres que afirmam ter visto a criatura em um terreno baldio seguem defendendo o relato e pedem um reconhecimento oficial. A professora Liliane Silva disse: "A gente quer que um dia alguém chegue e diga: foi verdade. A gente pegou, levou, e isso aconteceu".
Kátia Xavier, cuidadora e palestrante, completou: "Quem está esperando a verdade somos nós".
Série Documental Revisita o Caso
Durante esta semana, em que o Caso ET de Varginha completa 30 anos, a EPTV exibe uma série especial com trechos inéditos do documentário "O Mistério de Varginha", disponível no Globoplay. Uma coprodução entre Estúdios Globo e EPTV, a série documental revisita um dos casos ufológicos mais conhecidos do mundo.
Ao longo de três episódios, a investigação apresenta diferentes versões sobre o que teria acontecido na cidade e confronta relatos que marcaram o episódio, incluindo depoimentos de personagens centrais como o ufólogo Ubirajara Rodrigues, que mudou sua posição ao longo dos anos.