Avião com 118 haitianos retido por dez horas em Viracopos devido a vistos falsos
Um voo fretado transportando 118 imigrantes do Haiti foi retido por aproximadamente dez horas no Aeroporto Internacional de Viracopos, localizado em Campinas, no interior de São Paulo. A Polícia Federal (PF) identificou que a maioria dos passageiros apresentava vistos de reunião familiar falsificados, em um golpe considerado refinado e ardiloso.
Fraude sofisticada engana imigrantes
Segundo o delegado-chefe da PF em Campinas, André Ribeiro, os documentos falsos imitavam de maneira precisa o modelo oficial, incluindo um QR Code que direcionava para uma página fraudulenta semelhante ao site governamental. "A falsificação foi bem feita no sentido de tentar ludibriar essas pessoas. Gerava um site com características semelhantes ao site oficial, e uma pessoa leiga tem a convicção de que aquilo está correto", explicou Ribeiro. Dos 118 passageiros, 113 tinham vistos considerados falsos pelo Ministério das Relações Exteriores.
Retenção prolongada e análise migratória
Após o pouso na quinta-feira (12), os haitianos permaneceram dentro da aeronave enquanto a PF analisava a documentação. Inicialmente, a legislação aérea determinou que a companhia aérea, a Aviatsa de Honduras, fosse responsável por repatriá-los. No entanto, questões operacionais mantiveram o avião no pátio do aeroporto. Por volta das 19h, os passageiros foram transferidos para uma sala restrita, onde dormiram em cadeiras e colchões, com acesso a banheiros e refeições.
A Justiça Federal interveio, exigindo que a PF concluísse a análise inicial dos pedidos de refúgio em até 48 horas. Cerca de 55 horas após o pouso, todos os haitianos receberam vistos de acolhimento humanitário e foram liberados para entrar no Brasil, seguindo para casas de familiares e amigos.
Investigação por contrabando de migrantes
A PF abriu uma investigação para apurar um possível esquema de imigração irregular e falsificação de documentos. Ribeiro destacou indícios do crime de contrabando de migrantes, "quando pessoas lucram para promover uma migração irregular". Este foi o primeiro voo da Aviatsa transportando haitianos para o Brasil, empresa autorizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operações não regulares.
Contexto da crise no Haiti e fluxo migratório
O Haiti enfrenta uma grave crise humanitária, com violência armada, instabilidade política e escassez de alimentos e medicamentos, conforme relata a Organização das Nações Unidas. Viracopos integra uma rota migratória significativa, recebendo cerca de três voos fretados por semana, que transportam aproximadamente 600 haitianos. O caso em Campinas reflete os desafios do intenso fluxo migratório e a vulnerabilidade dos imigrantes a golpes durante buscas por refúgio.



