O homem acusado de assassinar o ex-primeiro-ministro japonês Shinzo Abe foi considerado culpado e condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026. A sentença foi proferida mais de três anos após o crime que chocou profundamente o Japão e o mundo inteiro.
Motivação do crime revela vínculos políticos com seita
Tetsuya Yamagami, de 45 anos, teria visado o líder político por acreditar que ele mantinha conexões com a Igreja da Unificação, uma seita reservada originária da Coreia do Sul. O julgamento expôs como grandes doações feitas pela mãe de Yamagami à seita levaram sua família à falência, alimentando sua revolta.
Interesse público intenso no tribunal de Nara
Grandes filas se formaram diante do tribunal na cidade de Nara, próximo a Kyoto, para obter ingressos e acompanhar a sentença do juiz Shinichi Tanaka. Este cenário refletiu o intenso interesse público em um caso que provocou ampla reflexão no país asiático, pouco habituado à violência armada.
Yamagami foi acusado de assassinato e violação das leis de controle de armas, por utilizar uma pistola caseira para matar o governante mais longevo do Japão durante um comício em julho de 2022. O crime ocorreu em plena luz do dia, expondo os vínculos entre parlamentares conservadores e a Igreja da Unificação.
Processo jurídico segue apesar de confissão
Embora Yamagami já tivesse confessado o crime no início de seu julgamento, em outubro, as leis do Japão determinam que o processo jurídico continue mesmo quando o réu se declara culpado. A prisão perpétua no país permite a possibilidade de liberdade sob fiança, mas especialistas acreditam que ele morrerá na prisão.
Promotores classificam assassinato como "sem precedentes"
Os promotores pediram a prisão perpétua, classificando o assassinato como "sem precedentes" na história do pós-guerra japonês. Eles citaram as "consequências extremamente graves" para a sociedade e argumentaram que a motivação do réu era desacreditar a Igreja da Unificação.
Durante o julgamento, um promotor afirmou que Yamagami "pensou que, se matasse alguém influente, como o primeiro-ministro, poderia atrair a atenção pública para a igreja e provocar críticas a ela". Abe havia discursado em eventos organizados por grupos ligados à seita, reforçando a crença do assassino em colaborações políticas.
Contexto histórico da Igreja da Unificação
A Igreja da Unificação foi fundada na Coreia do Sul em 1954, e seus membros são comumente chamados de "moonies", em referência ao seu fundador, Sun Myung Moon. O caso trouxe à tona discussões sobre a influência de seitas na política e na economia japonesa.
Este julgamento não apenas encerrou um capítulo trágico na história recente do Japão, mas também levantou questões importantes sobre segurança pública, controle de armas e a relação entre líderes políticos e grupos religiosos controversos.