Justiça americana disponibiliza milhões de documentos sobre caso Epstein com menção a brasileira
A Justiça dos Estados Unidos liberou mais 3 milhões de arquivos relacionados às investigações sobre o escândalo de Jeffrey Epstein, o bilionário condenado por crimes sexuais envolvendo exploração de menores. Entre os novos documentos divulgados pelo governo americano, um email de 2011 chama atenção por estabelecer uma ligação direta com o Brasil, especificamente com uma jovem dos arredores de Natal, no Rio Grande do Norte.
Email revela diálogo sobre jovem potiguar
Os arquivos tornados públicos incluem uma troca de mensagens eletrônicas entre Epstein e uma mulher identificada apenas como Alexia. A correspondência demonstra certa intimidade entre os interlocutores, com trechos inclusive escritos em português. Em um dos diálogos, Alexia menciona viajar para os Estados Unidos com uma jovem que vive nas proximidades de Natal, descrita como vinda de origem simples e pobre, supostamente para conhecer o financista.
"Anexei uma foto que ela tirou para você na noite de Ano‑Novo. Você vai adorá‑la!", diz um trecho do email revelado. A idade da jovem brasileira não é informada nos documentos. Na mesma troca de mensagens, a mulher pede dinheiro a Epstein para custear passaporte e visto da potiguar, alegando que a moça não fala inglês e nunca havia viajado antes.
MPF investiga conexão brasileira com rede criminosa
O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para investigar a possível conexão do Brasil com a rede de exploração sexual comandada por Jeffrey Epstein. Uma denúncia foi registrada no MPF do Rio Grande do Norte, e o caso passou a ser analisado pela Unidade Nacional de Enfrentamento do Tráfico Internacional de Pessoas e do Contrabando de Migrantes (UNTC), sediada em Brasília.
O MPF não divulgou detalhes específicos sobre as investigações, informando apenas que os procedimentos correm em sigilo absoluto, "dada a sensibilidade do tema e a necessidade de proteção das vítimas". Em nota oficial, a instituição afirmou que "a UNTC acompanha a divulgação dos arquivos do caso e está atenta aos fatos que envolvem cidadãos brasileiros ou que tenham sido praticados no Brasil".
Histórico do caso Epstein
O escândalo envolvendo Jeffrey Epstein tramita há anos na Justiça americana:
- As primeiras denúncias formais surgiram em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, investigou o bilionário por abuso sexual de menores
- Em 2008, Epstein se declarou culpado por exploração de menores e firmou acordo para cumprir 13 meses de prisão
- Em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal
- Em julho de 2019, Epstein foi preso e formalmente acusado de abuso de menores e operação de rede de exploração sexual
- De acordo com o governo dos EUA, o bilionário explorou sexualmente mais de 250 meninas menores de idade
Segundo as acusações, entre 2002 e 2005, Epstein pagava centenas de dólares para que meninas fossem até seus imóveis e realizassem atos sexuais. As jovens também eram incentivadas a recrutar outras garotas com o mesmo objetivo. Dezenas de mulheres acusaram o financista de forçá‑las a prestar serviços sexuais a ele e a convidados em uma ilha particular no Caribe e em propriedades que mantinha em Nova York, Flórida e Novo México.
Morte na prisão e desdobramentos
Jeffrey Epstein foi encontrado morto na prisão em agosto de 2019. A autópsia oficial concluiu que ele cometeu suicídio. Dois dias antes de morrer, o bilionário assinou testamento deixando patrimônio avaliado em mais de US$ 577 milhões. Após sua morte, as acusações contra ele foram retiradas, mas procuradores afirmaram que poderiam responsabilizar outras pessoas envolvidas no esquema. Advogados das vítimas continuam buscando indenizações na Justiça americana.
A liberação dos 3 milhões de novos documentos representa mais um capítulo na longa investigação sobre as atividades criminosas de Epstein, agora com elementos que sugerem possível envolvimento de cidadãos brasileiros em sua rede internacional de exploração.



