Ex-deputado Alexandre Ramagem é detido por agentes de imigração dos Estados Unidos em Orlando
Nesta segunda-feira, 13, o serviço de imigração dos Estados Unidos, conhecido como ICE, efetuou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nas ruas de Orlando, na Flórida. A captura marca o fim da condição de foragido que Ramagem mantinha desde setembro de 2025, quando foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.
Cooperação internacional resulta em prisão após meses de monitoramento
De acordo com informações da Polícia Federal brasileira, a prisão foi resultado direto da cooperação entre autoridades brasileiras e americanas. A PF mantém um delegado trabalhando em conjunto com o ICE especificamente para identificar e localizar foragidos da Justiça brasileira que se refugiam em território norte-americano.
Os investigadores brasileiros conseguiram chegar ao endereço de Ramagem em Orlando após rastrearem o veículo utilizado por ele para buscar sua esposa no aeroporto no final de 2025. O monitoramento constante permitiu que as autoridades soubessem de seus movimentos e padrões de comportamento durante todo o período em que esteve foragido.
Situação migratória precária e pedido de asilo
Ramagem encontrava-se em situação migratória extremamente vulnerável nos Estados Unidos. Seu visto de turista havia sido cancelado desde dezembro, conforme confirmado pela Polícia Federal. Além disso, o ex-parlamentar estava sem passaporte válido – tanto o documento pessoal quanto o diplomático, ao qual tinha direito durante seu mandato, foram cancelados em decorrência da condenação por participação na trama golpista.
Para tentar regularizar sua permanência no país, Ramagem protocolou formalmente um pedido de asilo junto às autoridades migratórias americanas. Este pedido agora será analisado juntamente com o processo de deportação que pode ser iniciado pelo ICE.
Dupla estratégia das autoridades brasileiras
As autoridades brasileiras adotaram uma abordagem dupla para garantir a responsabilização de Ramagem:
- Pedido formal de extradição: Encaminhado ao governo dos Estados Unidos com base na condenação por tentativa de golpe de Estado e na condição de foragido. Este é um caminho mais complexo que envolve aspectos diplomáticos e pode demandar tempo considerável.
- Cancelamento do visto e deportação: Aposta em um processo mais ágil, já que o ICE considera casos de imigrantes com visto cancelado e mandado de prisão em aberto no país de origem como prioridade para deportação.
Condenação histórica e cassação do mandato
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do STF condenou Alexandre Ramagem a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência foi considerado parte do núcleo central da trama golpista, acusado de utilizar a estrutura da Abin para vigilância de adversários políticos e de auxiliar o ex-presidente Jair Bolsonaro nos ataques contra o sistema eleitoral brasileiro.
Em dezembro do mesmo ano, a Câmara dos Deputados cassou definitivamente o mandato de Ramagem, cumprindo determinação do Supremo Tribunal Federal. Com a perda do foro privilegiado, o ex-parlamentar agora responde também por crimes comuns, incluindo deterioração do patrimônio tombado e dano ao patrimônio público.
Próximos passos e decisão judicial
Um juiz de imigração em Jacksonville, na Flórida, será responsável por decidir o futuro imediato de Alexandre Ramagem. A corte determinará se o ex-deputado será deportado para o Brasil ou se terá seu pedido de asilo concedido, permitindo sua permanência nos Estados Unidos.
Segundo avaliação da Polícia Federal brasileira, este processo judicial pode se estender por vários meses antes de uma decisão final. Enquanto isso, Ramagem permanece sob custódia do ICE, conforme consta no sistema oficial da agência de imigração norte-americana.
A defesa de Alexandre Ramagem optou por não se manifestar sobre a prisão ou sobre os processos judiciais em andamento tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O silêncio dos advogados contrasta com a movimentação intensa das autoridades dos dois países para resolver o caso.



