Agentes federais dos EUA são identificados como autores de tiros que mataram enfermeiro em protesto
Agentes dos EUA identificados em morte de enfermeiro em protesto

Identificados agentes federais dos EUA envolvidos na morte de enfermeiro durante protesto

Os dois agentes federais de imigração que estavam mascarados quando mataram o enfermeiro Alex Pretti, em Minneapolis, foram identificados pelo site americano ProPublica como Jesus Ochoa, de 43 anos, e Raymundo Gutierrez, de 35 anos. Ambos são originários do sul do Texas e atuam no CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras, em inglês), órgão responsável pela segurança das fronteiras dos Estados Unidos.

Detalhes sobre os agentes e a falta de transparência

Segundo o site, que baseou-se em registros governamentais, Ochoa ingressou no CBP em 2018, enquanto Gutierrez está no órgão desde 2014, trabalhando em uma equipe de operações especiais de alto risco. O Departamento de Segurança Interna (DHS), sob a administração de Donald Trump, não respondeu aos pedidos de comentário da ProPublica, indicando que o site deveria contatar o FBI, que também se recusou a comentar o caso.

O ProPublica justificou a divulgação das identidades em uma nota, argumentando que a investigação merece maior escrutínio público. A política de proteger a identidade dos agentes foi criticada como um desvio dos protocolos padrão, privando o público de ferramentas fundamentais para responsabilização.

O incidente e as contradições oficiais

Alex Pretti, de 37 anos, estava protestando em Minneapolis no dia 24 de julho contra ações de agentes federais de imigração quando foi abordado. Ele filmava a operação, foi derrubado, recebeu spray de pimenta no rosto e foi imobilizado por pelo menos seis agentes. Durante a imobilização, agentes gritaram que Pretti tinha uma arma, embora ele tivesse licença para porte e não tenha aproximado as mãos da arma, que estava na parte de trás de sua cintura.

Em seguida, um dos agentes atirou em Pretti, que caiu no chão e foi atingido por mais nove tiros, morrendo a caminho do hospital. Inicialmente, o governo Trump classificou Pretti como terrorista doméstico, mas vídeos de testemunhas contradisseram essa versão, levando a Casa Branca a revisar o ocorrido.

Investigações e relatórios conflitantes

Autoridades estaduais e locais denunciaram dificuldades em trabalhar com o governo federal, incluindo falta de acesso imediato ao local da morte. Um relatório do órgão corregedor do CBP enviado ao Congresso americano revelou novas contradições: o texto não menciona que Pretti estava armado ou ameaçava agentes, e notificou que dois agentes realizaram os disparos, não um, como afirmado inicialmente. No entanto, o relatório não incluiu os nomes dos agentes, que foram afastados das funções.

Após semanas de protestos, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou que sua Divisão de Direitos Civis iniciaria uma investigação sobre a morte de Pretti, buscando esclarecer as circunstâncias do caso e promover justiça.