Imagens de câmeras corporais revelam violência policial em operação de imigração
Registros visuais divulgados por promotores federais dos Estados Unidos mostram de forma chocante um agente da Patrulha da Fronteira disparando cinco vezes contra uma professora durante uma operação de imigração em Chicago. As imagens, obtidas através das câmeras corporais dos agentes e trazidas a público na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, contradizem frontalmente a versão oficial apresentada pelo governo americano sobre o incidente ocorrido em outubro de 2025.
Versão oficial desmentida pelas evidências visuais
O caso envolve a docente Marimar Martínez, de 31 anos, cidadã americana que utilizava seu veículo para seguir a viatura de agentes de imigração em operação, com o objetivo de alertar moradores sobre a possível batida policial. Na ocasião, o Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Martínez havia lançado seu automóvel contra os agentes, que teriam respondido com disparos em legítima defesa.
Contudo, os novos registros visuais sugerem uma narrativa completamente diferente. As gravações mostram que os próprios agentes podem ter atingido o veículo da professora, desmontando a alegação oficial de agressão por parte da civil.
Detalhes reveladores das gravações
A gravação inicia com uma conversa entre agentes dentro da viatura da Patrulha da Fronteira, onde é possível ouvir um deles dizendo: "Fale alguma coisa, vadia", enquanto um segundo comenta que estavam sendo cercados. Em seguida, um policial de imigração afirma: "Está na hora de ficar agressivo", instantes antes do motorista — identificado como o agente Charles Exum — virar bruscamente o volante da viatura.
Na sequência, ocorre uma aparente colisão e um dos agentes grita "fomos atingidos". Exum sai do veículo com a arma em mãos e disparos são ouvidos em seguida. De acordo com o processo judicial, ele atirou cinco vezes contra a docente Marimar Martínez.
Consequências e acobertamento do caso
Apesar de ter sido baleada, Martínez conseguiu deixar o local dirigindo e foi encaminhada a um hospital. A cidadã americana chegou a ser denunciada por obstruir a atuação de um agente federal, mas as acusações foram retiradas em dezembro de 2025. Ainda assim, o DHS manteve uma publicação classificando-a como terrorista doméstica.
Provas surgidas no processo judicial indicam que Exum levou o veículo envolvido no acidente para uma base no estado do Maine, onde passou por reparos antes que qualquer perícia fosse realizada. Os promotores também tiveram acesso a mensagens de texto trocadas pelo investigado junto a outros agentes, onde ele se gaba da pontaria empreendida no episódio.
Em uma das mensagens, Exum afirmou: "Disparei cinco vezes e ela ficou com sete buracos. Coloquem isso no livro, rapazes", demonstrando uma atitude de orgulho pela violência empregada.
Repercussão institucional e apoio interno
Outros registros incluem um e-mail encaminhado ao agente responsável pelos disparos por Gregory Bovino, comandante responsável pelas operações de imigração em Los Angeles, Chicago e Minneapolis. Na comunicação, Bovino escreveu: "Você ainda tem muito a fazer", sugerindo que Exum adiasse a aposentadoria, além de agradecê-lo pelo "excelente serviço".
As imagens foram divulgadas pela promotoria após determinação da juíza distrital Georgia Alexakis. Para o advogado de Martínez, Chris Parente, a divulgação é fundamental para que o público possa ver "as provas reais, em vez das falsas alegações do nosso governo".
O caso expõe não apenas um episódio de violência policial, mas também um possível acobertamento institucional e a criminalização indevida de uma cidadã que tentava alertar sua comunidade sobre operações de imigração. As contradições entre as evidências visuais e a narrativa oficial colocam em questão os procedimentos e a transparência das forças de segurança americanas em operações sensíveis.



