Documentos do FBI revelam acusação não comprovada de abuso sexual envolvendo Trump e Epstein
Três memorandos confidenciais do FBI, que não foram incluídos na divulgação inicial dos milhões de páginas do chamado "arquivo Epstein", trazem uma acusação explícita, porém não comprovada, contra o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Segundo os documentos, uma mulher alega ter sido abusada sexualmente por Trump no início dos anos 1980, com a suposta assistência do financista Jeffrey Epstein.
Depoimentos detalhados ao FBI
Os documentos, revelados pelo jornal britânico The Guardian e confirmados por outros veículos americanos, registram quatro entrevistas conduzidas pelo FBI em 2019 com uma mulher que afirma ter sido vítima de abusos por Epstein a partir dos 13 anos de idade. Em um dos relatos, ela descreve ter sido levada a um imóvel em Nova York ou Nova Jersey, onde teria conhecido Trump e outros homens.
Segundo as anotações dos agentes federais, a mulher declarou que, quando ficou sozinha com Trump, ele teria tentado agredi-la sexualmente. É importante destacar que esta denúncia nunca foi formalizada em acusação criminal, e o FBI não apresentou qualquer queixa relacionada a esse depoimento específico.
Ausência de documentos e reação política
O Departamento de Justiça iniciou em dezembro a divulgação em massa de arquivos ligados às investigações sobre Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell, condenada por tráfico sexual. Os três relatórios do FBI, conhecidos como formulários "302" que sintetizam entrevistas, não constavam na base pública inicialmente disponibilizada.
Esta omissão provocou reações imediatas no Congresso americano. O deputado democrata Robert Garcia afirmou ter ido ao Departamento de Justiça para examinar arquivos não editados e disse não ter localizado os documentos em questão. Já o republicano James Comer declarou que o comitê de supervisão investigará se houve retirada indevida de informações sensíveis.
Contradições e lacunas nas alegações
Os próprios registros do FBI apontam inconsistências significativas nas declarações da mulher:
- A mulher afirmou que os fatos teriam ocorrido por volta de 1983, em Hilton Head Island, na Carolina do Sul, mas familiares de Epstein disseram não ter conhecimento de que ele frequentasse a região naquele período
- Não há evidências documentadas de que Trump e Epstein mantivessem relação naquele ano específico
- Parte dos relatos sobre supostas ameaças ao longo de décadas e episódios envolvendo sua mãe não pôde ser corroborada por registros públicos
Em resposta à NPR e a outros veículos de comunicação, o Departamento de Justiça afirmou que "nada foi deletado" dos arquivos e que materiais retidos eram duplicados ou protegidos por sigilo legal. Um integrante da administração disse que as acusações foram classificadas como "não críveis" e que a lei de transparência aprovada pelo Congresso não exige a divulgação de arquivos redundantes.
Reações e posicionamentos
Em nota oficial, Donald Trump reiterou que "não fez nada de errado" e negou veementemente as alegações. A divulgação destes documentos reacende o debate sobre a transparência das investigações ligadas a Epstein, cujo caso expôs uma extensa rede de abusos envolvendo figuras influentes nos Estados Unidos e no exterior.
Para aliados de Trump, a publicação reforça o argumento de que denúncias antigas e não comprovadas continuam sendo usadas politicamente contra o ex-presidente. Para democratas, a ausência inicial dos relatórios exige esclarecimentos adicionais do Departamento de Justiça sobre os critérios de divulgação.
Contexto histórico e implicações
Desde a morte de Epstein em 2019, sob custódia federal em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas, documentos judiciais e administrativos vêm sendo tornados públicos gradualmente. Este processo tem revelado tanto acusações graves contra figuras poderosas quanto declarações que posteriormente foram desacreditadas ou não puderam ser verificadas.
Sem novas acusações formais até o momento, o caso permanece no campo das investigações passadas. No entanto, adiciona mais um capítulo sensível à relação histórica entre Trump e Epstein, tema que volta ao centro do debate político em Washington e reacende discussões sobre:
- A transparência de investigações envolvendo figuras públicas
- Os mecanismos de proteção a vítimas de abuso sexual
- O uso político de alegações não comprovadas
- A responsabilidade institucional na divulgação de documentos sensíveis
O material divulgado inclui ainda outras alegações da mulher, como supostas ameaças ao longo de décadas e episódios envolvendo sua mãe, que teria sido chantageada por Epstein. A complexidade do caso Epstein continua a desafiar as instituições americanas e a opinião pública internacional.



