ICE registra 14 mortes em centros de detenção em 2026; Trump demite Kristi Noem
14 mortes em centros do ICE em 2026; Trump demite Kristi Noem

Mortes em centros de detenção do ICE atingem 14 casos em 2026

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) divulgou nesta segunda-feira (30) um balanço preocupante: 14 imigrantes faleceram em centros de detenção pelo país ao longo de 2026. A confirmação ocorreu após a última morte registrada, envolvendo um cidadão mexicano detido em Los Angeles, Califórnia, no dia 25 de março.

Detalhes do caso mais recente

José Guadalupe Ramos, que estava sob custódia no Centro de Detenção de Imigrantes de Adelanto, foi encontrado inconsciente e sem reação em sua cama por funcionários da segurança. Ele foi rapidamente transportado para um hospital da região, mas não resistiu e foi declarado morto. O ICE emitiu um comunicado à imprensa confirmando o óbito, sem fornecer maiores detalhes sobre as causas.

Este incidente se soma a uma tendência alarmante. Em 2025, pelo menos 31 pessoas morreram sob custódia do ICE, marcando o maior número em duas décadas. Paralelamente, a quantidade de imigrantes detidos pela agência alcançou níveis recordes, com aproximadamente 68 mil indivíduos presos no início de fevereiro, conforme dados da agência de notícias Reuters.

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Protestos e pressão política aumentam

Manifestantes têm se mobilizado contra a expansão dos centros de detenção. Em Roxbury, Nova Jersey, por exemplo, houve protestos em fevereiro de 2026 contra a transformação planejada de um galpão em uma nova unidade do ICE. A insatisfação pública cresce à medida que as mortes se acumulam e as condições de detenção são questionadas.

Troca no comando do Departamento de Segurança Interna

Em meio a essa crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (5) a demissão de Kristi Noem do cargo de secretária de Segurança Interna. Conhecida como a 'Barbie do ICE', Noem vinha enfrentando críticas intensas devido à truculência nas operações contra imigrantes e pelas mortes ocorridas, incluindo dois casos em Minneapolis que geraram grande repercussão.

Novo nome para a pasta

Trump já indicou seu substituto: o senador americano Markwayne Mullin, republicano de Oklahoma. A nomeação foi comunicada através de um post na rede Truth Social, onde o presidente afirmou: "Tenho o prazer de anunciar que o altamente respeitado Senador dos Estados Unidos pelo grande Estado de Oklahoma, Markwayne Mullin, assumirá o cargo de Secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), a partir de 31 de março de 2026".

Mullin, que é senador desde 2023 e tem um passado como lutador de MMA, comentou brevemente com a imprensa após o anúncio. Ele mencionou que ainda não conversou com Noem sobre a substituição, mas a considerou uma amiga que realizou um trabalho difícil da melhor maneira possível dadas as circunstâncias.

Reconfiguração de funções

Kristi Noem não deixará completamente o governo. Trump designou que ela passará a ser Enviada Especial para o Escudo das Américas, uma nova iniciativa de segurança no Hemisfério Ocidental que será anunciada oficialmente no sábado em Doral, Flórida. O presidente elogiou publicamente as ações de Noem, especialmente seus esforços na fronteira para reduzir o número de imigrantes no país.

Investigações e pressão sobre Noem

O Departamento de Segurança Interna, sob o comando de Noem, foi alvo de muitas críticas não apenas pelas mortes nos centros de detenção, mas também por dois episódios fatais em Minneapolis. No fim de janeiro, o governo Trump transferiu a liderança da investigação sobre o assassinato do enfermeiro Alex Pretti, ocorrido durante um protesto, da Divisão de Investigações do DHS para o FBI.

Essa decisão inicial de manter a investigação sob o DHS foi considerada incomum por autoridades policiais federais, que argumentaram que o órgão não possui a estrutura adequada para lidar com casos complexos envolvendo tiroteios, como análise balística e perícia forense. Apesar da pressão, inclusive de aliados republicanos, Trump continuou defendendo o trabalho de Noem até o anúncio de sua demissão.

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Kristi Noem se torna a primeira secretária de gabinete a deixar o cargo durante o segundo mandato de Trump, em um momento de intenso escrutínio sobre as políticas de imigração e segurança interna dos Estados Unidos.