Um tribunal de Paris emitiu, nesta segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, uma sentença histórica contra dez indivíduos envolvidos em uma campanha de assédio virtual contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron. Os réus foram considerados culpados por disseminar informações falsas e teorias da conspiração sobre o gênero e a sexualidade de Brigitte.
Detalhes da sentença e perfil dos condenados
A decisão judicial determinou que os dez acusados participem obrigatoriamente de treinamentos de conscientização contra o cyberbullying. Um dos réus recebeu pena de seis meses de prisão efetiva, enquanto outros oito tiveram sentenças de quatro a oito meses de prisão suspensa. O grupo, composto por oito homens e duas mulheres, tem idades entre 41 e 60 anos e inclui figuras de diferentes profissões.
Entre os condenados estão um político eleito, um galerista, um especialista em TI, um professor, um gerente de imóveis e um empresário. A emissora BFMTV identificou também o publicitário Aurélien Poirson-Atlan, de 41 anos, que usava o pseudônimo “Zoé Sagan” nas redes sociais. Sua conta no X (antigo Twitter), conhecida por replicar teorias conspiratórias, já havia sido suspensa anteriormente devido a denúncias.
A campanha de ódio e o impacto na família
As falsas alegações disseminadas pelo grupo incluíam a teoria de que Brigitte Macron, na verdade, seria um homem chamado Jean-Michel Trogneux – nome de seu irmão. Além disso, os acusados caracterizavam a diferença de idade de 24 anos entre a primeira-dama e o presidente Emmanuel Macron como um ato de “pedofilia”.
Brigitte Macron não compareceu ao julgamento, realizado em outubro. No entanto, sua filha, Tiphaine Auzière, prestou depoimento emocionado, descrevendo os graves danos causados à sua mãe e a toda a família. Ela afirmou que os comentários maldosos levaram a uma "deterioração" na vida de Brigitte e que o ódio online afetou inclusive os netos do casal presidencial.
Em entrevista à rede TF1 no domingo, 6 de janeiro, Brigitte Macron explicou que a decisão de processar os autores foi motivada pelo desejo de "dar o exemplo" na luta contra o assédio digital.
Processo internacional e o papel das redes sociais
Este não é o único processo movido pelos Macron contra difamadores. No ano passado, o casal entrou com uma ação de difamação nos Estados Unidos contra a podcaster de extrema-direita Candace Owens. A influenciadora, que possui milhões de seguidores no YouTube e Instagram, liderou uma campanha de um ano questionando publicamente o gênero de Brigitte, em vídeos com títulos sensacionalistas como "A Primeira-Dama da França é um Homem?".
Após o veredito em Paris, a advogada da primeira-dama, Jean Ennochi, destacou a importância das medidas corretivas. "O importante é que haja treinamentos imediatos de conscientização sobre o cyberbullying e, para alguns dos réus, a proibição do uso de suas contas nas redes sociais", afirmou. A sentença reforça um precedente legal significativo na responsabilização por discurso de ódio e desinformação nas plataformas digitais.