Trio é preso no Espírito Santo por aplicar golpe do bilhete premiado com prejuízo de R$ 202 mil
Um homem e duas mulheres foram presos no bairro Jardim da Penha, em Vitória, suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada no chamado golpe do bilhete premiado. As investigações apontam que o grupo, originário de Passo Fundo no Rio Grande do Sul, atuou no Espírito Santo e causou um prejuízo estimado em R$ 202 mil a pelo menos três vítimas, todas mulheres idosas.
Detalhes da prisão e identificação dos suspeitos
Os criminosos foram identificados durante diligências da Polícia Civil e, ao retornarem ao estado para aplicar novos golpes, acabaram detidos por agentes da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa). Os presos são: Luis Fernando do Carmo, de 36 anos; Daniela Bottega Oliveira do Carmo, de 37 anos; e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão, de 24 anos. Ao todo, cinco pessoas fazem parte da organização, mas duas ainda não foram identificadas.
Segundo o delegado Jonathan Lana, as vítimas identificadas até o momento são moradoras do bairro Jardim da Penha, em Vitória, e da Praia da Costa, em Vila Velha. A polícia acredita que haja outras vítimas que ainda não tiveram coragem de denunciar, devido à vergonha associada a cair nesse tipo de golpe, especialmente entre idosos.
Como funcionava o golpe do bilhete premiado
O golpe é dividido em etapas elaboradas para explorar a solidariedade das vítimas. Inicia com uma abordagem em que uma mulher jovem e bem-apresentada pergunta sobre indicações de advogados. Um segundo criminoso se junta à conversa, e juntos envolvem a vítima em um diálogo sobre um suposto bilhete premiado de R$ 3 milhões.
Os estelionatários simulam uma ligação para a Caixa Econômica Federal, confirmando o prêmio, e argumentam que são necessárias testemunhas para o resgate devido à falta de documentação da suposta ganhadora. Explorando sentimentos de fraternidade, convidam a vítima a ajudar, levando-a a acreditar que está apenas auxiliando alguém em dificuldade.
No interior do veículo, os golpistas questionam a moralidade do prêmio, sugerindo que a suposta ganhadora, por motivos religiosos, não se sentiria confortável em receber o dinheiro. Ela propõe então que as vítimas fiquem com o valor e repassem apenas uma parte, alegando necessidades financeiras. Para garantir participação, exigem uma garantia financeira, momento em que ocorre a transferência de valores.
O nível de persuasão é tão alto que, em um caso, a vítima foi levada até sua casa para buscar o cartão bancário e depois a um banco para realizar a transferência. A etapa final envolve distração e evasão, com os criminosos criando histórias para ganhar tempo e prometendo liberação futura do dinheiro.
Investigacões e histórico criminal
As investigações começaram em novembro de 2025, após registros de boletins de ocorrência. A polícia identificou o veículo utilizado pelos suspeitos e passou a monitorar o grupo, que atuava em rodízio de equipes. Em janeiro, detectaram o retorno dos criminosos ao estado, resultando nas prisões.
O trio já havia sido preso anteriormente por outros crimes e agora responderá por organização criminosa. O delegado destacou que os golpistas escolhem vítimas do sexo feminino e idosas, geralmente em áreas próximas a bancos onde as pessoas estão bem vestidas e possuem recursos financeiros.
Este caso reforça a importância da vigilância e denúncia contra crimes financeiros que exploram a vulnerabilidade de grupos específicos, causando danos significativos às vítimas e à sociedade.