Presidente do TCU defende BC na liquidação do Master e revela esquema de fake news
TCU apoia BC na liquidação do Banco Master

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, afirmou publicamente nesta sexta-feira, 9 de agosto, que o Banco Central tomou a decisão correta ao determinar a liquidação do Banco Master. A declaração ocorre em meio a uma investigação sobre um suposto esquema de pagamentos a influenciadores para atacar a imagem do BC e a uma análise do próprio TCU sobre o processo de intervenção no conglomerado financeiro.

Defesa de Vorcaro nega e vereador confirma esquema

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, enviou um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF) negando qualquer envolvimento dele em ataques coordenados nas redes sociais contra o Banco Central. Os advogados pediram inclusive a abertura de um inquérito para apurar o que classificam como fake news contra o empresário.

Contudo, em entrevista à GloboNews, o influenciador e vereador de Erechim (RS), Rony Gabriel (PL), contou que foi procurado por uma agência que ofereceu uma proposta milionária para fazer publicações em defesa do Master. "Fizeram uma reunião via aplicativo de vídeo e trouxeram que se tratava de um reposicionamento de imagem... e que se tratava de Daniel Vorcaro, do Banco Master", declarou o vereador.

Rony Gabriel afirmou que o contato foi feito por André Salvador, sócio de uma agência que teria sido contratada por Vorcaro, e que o objetivo era produzir vídeos para "descredibilizar o BC" e passar a ideia de que a liquidação do banco foi feita com excesso de velocidade. A Polícia Federal já investiga esses pagamentos milionários a influenciadores digitais.

TCU recua em inspeção, mas presidente apoia decisão do BC

A liquidação do Master, ocorrida em novembro, é alvo de apuração no TCU. O relator do caso, ministro Jonathan de Jesus, havia determinado uma inspeção em documentos do Banco Central, o que gerou críticas de entidades do setor financeiro em defesa da autonomia da autoridade monetária. O próprio BC recorreu da decisão.

Diante da repercussão, o relator suspendeu a inspeção até uma decisão do plenário do tribunal. Neste contexto, o presidente Vital do Rêgo Filho anunciou que se reunirá com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, na próxima segunda-feira para tratar do tema.

Em declaração enfática, Vital do Rêgo deixou claro seu posicionamento: "O que nós vamos ver é que o Banco Central tem toda razão em ter liquidado o banco. Como faz qualquer agência reguladora... eu achei correto". Ele reforçou o papel fiscalizador do TCU, mas reconheceu a legitimidade da ação do BC.

Fraude bilionária e prejuízo a fundos de pensão

O processo que levou à liquidação do Master revelou uma complexa fraude. O BC identificou uma cadeia de transações entre o banco e a gestora de fundos Reag para que o dinheiro de títulos supervalorizados voltasse para o controle de Daniel Vorcaro e de diretores do Master.

A Reag foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, que investiga lavagem de dinheiro do PCC. A TV Globo apurou que pelo menos quatro fundos investigados por ligação com o crime organizado também participaram do esquema fraudulento do Master.

O escândalo tem impacto direto na vida de aposentados e pensionistas. Dezoito fundos de pensão investiram mais de R$ 1,8 bilhão em letras financeiras do Master entre outubro de 2023 e dezembro de 2024. Esses títulos de renda fixa não têm cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo o Ministério da Previdência, Estados e Municípios são os responsáveis diretos por garantir o pagamento dos benefícios caso os recursos dos regimes próprios se mostrem insuficientes, o que pode levar os entes federativos a cobrirem eventuais perdas.

O Jornal Nacional não obteve retorno da defesa de Daniel Vorcaro e também não conseguiu contato com André Salvador, o suposto intermediário do esquema com influenciadores.