Zootecnista é suspeito de desviar R$ 37 milhões de herança da avó e tias em Goiás
Um zootecnista está sob investigação da Polícia Civil de Goiás por suspeita de desviar aproximadamente R$ 37 milhões da herança de sua avó e tias. O caso, que choca a região de Firminópolis, envolve uma trama complexa de confiança familiar traída e manipulação financeira ao longo de anos.
Histórico familiar e ascensão nos negócios
Fabiano Pedrosa Leão, o neto suspeito, foi praticamente criado pelos avós, Angélica Gonçalves Pedrosa e seu marido, na fazenda da família em Firminópolis. Desde criança, ele acompanhava o avô na lida com o gado e na gestão dos negócios agrícolas, adquirindo conhecimento técnico valioso. Após a morte do avô em 2009, Fabiano assumiu o controle total da administração da fazenda, consolidando sua posição na família.
Com a formação em zootecnia, ele reforçou sua expertise e conquistou a confiança plena dos familiares, que não desconfiaram de suas ações por um longo período. Segundo o delegado Alexandre Bruno, que conduz as investigações, "Eles praticamente criaram esse neto. Esse neto foi, desde muito pequeno, criado pelo avô ali na lida com o gado, com a gerência, com o gerenciar os negócios da fazenda".
Esquema de desvios e envolvimento de terceiros
As investigações apontam que Fabiano teria desviado os valores de um fundo de lucros da fazenda, fazendo retiradas regulares enquanto as tias não realizavam nenhuma movimentação. O delegado destacou que o suspeito administrava os rendimentos da propriedade e foi fazendo retiradas sucessivas, acumulando uma fortuna estimada em R$ 37 milhões.
Além de Fabiano, sua mãe, Marli Gonçalves Pedrosa Leão, bancários, fazendeiros da região e funcionários de cartórios são suspeitos de participação no esquema. A polícia acredita que ele contou com a ajuda desses indivíduos para facilitar os desvios, embora as defesas dos envolvidos não tenham sido localizadas para comentar o caso.
Operação policial e desdobramentos recentes
Na segunda-feira, 13 de janeiro de 2025, Fabiano e sua mãe foram alvos de um mandado de busca e apreensão. Durante a operação, duas armas de fogo foram encontradas, levando à prisão em flagrante de Fabiano por posse ilegal. Ele foi liberado após o pagamento de fiança, mas o caso continua sob investigação da Polícia Civil.
Após a morte da avó, Angélica, em maio de 2024, Fabiano ficou responsável pelo inventário dos bens e pela repartição entre as tias. A polícia revelou que ele sacou R$ 1,4 milhão apenas dois dias após o falecimento, alegando em depoimento que o valor seria para pagamento de dívidas e repartido entre as familiares.
Desconfiança familiar e início das investigações
As investigações tiveram início em fevereiro de 2025, quando uma das quatro filhas de Angélica começou a suspeitar do enriquecimento repentino do sobrinho. O advogado Alexandre Lourenço, procurado pela tia, explicou que a família percebeu movimentações suspeitas ao acessar as contas bancárias da idosa.
"A avó, dona Angélica, vivia com uma pensão de aproximadamente R$ 7 mil, muito pouco disso era complementado pelo rendimento do patrimônio, então, cadê o restante? Paralelo a isso, a família narra um crescimento patrimonial bastante vultoso da parte dele", afirmou Lourenço. A Polícia Civil ainda não divulgou um prazo para a conclusão do inquérito, mantendo o caso em aberto.



