Sicário ligado a Daniel Vorcaro já tinha histórico de golpes milionários antes das fraudes no Banco Master
A relação entre Luiz Felipe Mourão, conhecido como "Sicário", e o banqueiro Daniel Vorcaro começou antes mesmo das suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. O Ministério Público de Minas Gerais descobriu, durante investigação aprofundada, um esquema milionário de golpes contra investidores e lavagem de dinheiro que antecedeu os escândalos financeiros mais recentes.
O esquema de investimentos fraudulentos
De acordo com as investigações do MP, Mourão foi sócio da empresa Maximus Digital Fomento Mercantil Ltda., que prometia aos clientes retornos financeiros extraordinariamente altos, muito acima dos praticados no mercado convencional. Os contratos apresentados aos investidores eram intencionalmente vagos e não especificavam como o dinheiro seria aplicado, criando uma cortina de fumaça para as operações fraudulentas.
"Os contratos eram bastante nebulosos, não especificavam o tipo de investimento", afirmou um dos investigadores responsáveis pelo caso, destacando a estratégia utilizada para enganar as vítimas.
Com o passar do tempo, clientes de diversas regiões do Brasil começaram a enfrentar dificuldades insuperáveis para resgatar os valores aplicados. Entre as vítimas identificadas pelo Ministério Público estavam pessoas de baixa renda que chegaram a contrair empréstimos para investir, movidas pela esperança de melhorar sua situação financeira ou custear tratamentos de saúde urgentes.
Vítimas do esquema milionário
Um dos investidores lesados, Raimundo Jorge Gonçalves Favacho, oficial de Náutica da Marinha Mercante, relatou ter perdido aproximadamente R$ 50 mil no esquema. "Eles deram sumiço de tudo. Não tinham nada, sumiram com tudo. Não deixaram rastro", desabafou a vítima, ilustrando o desespero de quem confiou suas economias na operação fraudulenta.
Movimentação financeira suspeita e lavagem de dinheiro
Segundo as investigações do Ministério Público, entre junho de 2018 e julho de 2021, Mourão movimentou cerca de R$ 28 milhões em contas bancárias vinculadas a outras empresas consideradas de fachada, utilizadas especificamente para lavagem de dinheiro. O esquema também envolvia a obtenção de um empréstimo de R$ 62 milhões em um banco, utilizando imóveis como garantia com valores superfaturados em proporções alarmantes.
Os promotores descobriram que propriedades avaliadas entre R$ 400 mil e R$ 600 mil foram declaradas com valores de até R$ 19 milhões, em uma clara manipulação dos valores de mercado. De acordo com as investigações, os imóveis pertenciam a uma empresa que teve como acionista Natália Vorcaro, irmã do banqueiro Daniel Vorcaro.
O banco que concedeu o empréstimo milionário foi posteriormente adquirido pelo próprio Daniel Vorcaro e passou a se chamar Banco Master. É importante destacar que os irmãos Vorcaro não foram denunciados na ação do Ministério Público de Minas Gerais. Quando procurado, o advogado de Natália Vorcaro preferiu não se manifestar sobre as acusações.
Prisão e morte trágica do Sicário
Luiz Felipe Mourão, o "Sicário", foi preso na semana passada durante operação que investiga supostas fraudes bilionárias envolvendo Daniel Vorcaro. Na cela da Polícia Federal, ele foi encontrado desacordado após duas tentativas de enforcamento. Apesar do atendimento médico imediato e transferência para o Hospital João XXIII, o acusado teve morte cerebral dois dias depois do incidente.
A Polícia Federal afirmou que as câmeras de monitoramento estavam funcionando adequadamente e que a equipe agiu "com diligência" durante todo o ocorrido, buscando garantir a integridade do preso.
Andamento do processo judicial
No ano passado, durante a fase de instrução do processo sobre as fraudes financeiras, Mourão compareceu a uma audiência, mas optou por exercer seu direito ao silêncio, não fornecendo qualquer declaração aos investigadores. O advogado de Luiz Felipe Mourão afirmou, na época, que ainda aguardava acesso completo aos autos do processo e que não teve tempo hábil para discutir detalhadamente as acusações com seu cliente, especialmente considerando o desfecho trágico do caso.
Ainda não há previsão concreta para o julgamento dos outros dez réus denunciados na mesma ação, que continuam aguardando o desenrolar dos procedimentos judiciais. O caso permanece sob intenso escrutínio do Ministério Público e da Justiça mineira, que buscam elucidar completamente as ramificações do esquema criminoso.



