Polícia Civil desmantela quadrilha que fraudava empresas do agro no interior de São Paulo
Quadrilha usava dados de empresas do agro para golpes em SP

Polícia Civil desmantela quadrilha que fraudava empresas do agro no interior de São Paulo

A Polícia Civil deflagrou nesta semana uma força-tarefa contra uma organização criminosa que utilizava dados de empresas reais para aplicar golpes em fornecedores no interior de São Paulo. A Operação "Arara Caipira", realizada na quinta-feira (9), resultou na execução de nove mandados de busca e apreensão nas cidades de Limeira e Ribeirão Preto, esta última apontada como o centro do esquema fraudulento.

Como funcionava o golpe da quadrilha

Os criminosos, descritos como extremamente organizados e estruturados, empregavam informações verdadeiras de empresas idôneas, especialmente do setor de informática e agropecuária, para abrir cadastros e obter crédito. Para conferir legitimidade às fraudes, eles criavam domínios de e-mail e contas em aplicativos de mensagens muito semelhantes aos originais, enganando fornecedores ao realizar pedidos em nome dessas empresas.

"Os golpistas utilizavam dados verdadeiros de empresas idôneas para realizar pedidos como se fossem essas empresas", afirmou o delegado Fernando David de Melo Gonçalves, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo. Eles compravam produtos a prazo, recebiam as mercadorias em locais de difícil identificação, como lotes vagos, e não efetuavam os pagamentos dos boletos, desviando os itens para destinos controlados pelo grupo.

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Prejuízo estimado e variedade de compras

As investigações identificaram um prejuízo de pelo menos R$ 2 milhões, referente a apenas duas vítimas, empresas de porte médio e grande. No entanto, a polícia acredita que o valor total e o número de empresas lesadas possam ser muito maiores, dado o alcance do esquema. A quadrilha tinha um perfil de compras diversificado, adquirindo desde aparelhos eletrônicos, como computadores e equipamentos de ar-condicionado, até maquinários pesados, como tratores.

"Nós entendemos que o esquema fraudulento é maior e estamos tentando identificar mais vítimas, porque eles emitiam pagamento em boleto de 30 a 60 dias e, durante esse período, usavam o nome da empresa idônea para comprar e desviar mercadorias", explicou o delegado.

Resultados da operação e apreensões

Foram cumpridos sete mandados em Ribeirão Preto e dois em Limeira, com a apreensão de notebooks, roteadores, cartões bancários e cheques. Além disso, a Polícia Civil bloqueou judicialmente quatro veículos, somando R$ 500 mil em valor. Ninguém foi preso durante a ação; o suspeito apontado como líder do grupo foi identificado, mas não foi encontrado em sua residência. Segundo as autoridades, ele está no exterior, mas não é considerado foragido.

Investigação e crimes investigados

A investigação teve início após empresas reais receberem cobranças de fornecedores por compras que nunca haviam realizado. Por meio da quebra de dados telemáticos, os investigadores rastrearam acessos digitais e localizaram onde os criminosos operavam, revelando um alto grau de profissionalismo e uma divisão de tarefas dentro do grupo.

Os alvos da operação respondem inicialmente por estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, mas o delegado do Deic acredita que isso possa evoluir para organização criminosa com o avanço das investigações. "Entendemos que a associação criminosa pode ser na verdade uma organização criminosa. Estamos tentando achar os núcleos desse grupo, porque achamos o pivô, mas vamos entender qual é a conexão dele, principalmente no exterior", destacou o delegado.

Os próximos passos incluem aprofundar a investigação para identificar a participação de outras pessoas no esquema e examinar empresas vinculadas ao suspeito líder, visando desmantelar completamente a rede criminosa.

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