Dono do Banco Master é intimado pela PF para novo depoimento sobre venda ao BRB
PF intimou dono do Banco Master para depoimento em janeiro

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi formalmente intimado pela Polícia Federal para prestar um novo depoimento no final de janeiro. A convocação integra as investigações sobre a tentativa de venda do banco ao BRB (Banco de Brasília), um caso que envolve a suposta negociação de uma carteira de créditos no valor de R$ 12,2 bilhões.

Novas oitivas e o foco das investigações

A Polícia Federal marcou os interrogatórios de várias pessoas-chave para o fim de janeiro e início de fevereiro. Além de Daniel Vorcaro, que deve depor no dia 27 de janeiro, também foram intimados o ex-sócio dele, Augusto Lima, o ex-diretor de riscos do Master, Luiz Antônio Bull, e outro ex-sócio, Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.

Do lado do BRB, o ex-presidente da instituição, Paulo Henrique Costa, prestará seu segundo depoimento à PF. Outros ex-integrantes do banco público de Brasília também serão ouvidos.

O cerne das perguntas deve girar em torno da acareação realizada em 30 de dezembro entre Vorcaro e Paulo Henrique Costa. Na ocasião, os dois foram confrontados sobre as divergências na tentativa de venda. A expectativa dos investigadores é que as novas perguntas sejam mais duras, com o objetivo de identificar possíveis contradições em relação ao depoimento colhido durante o recesso.

Logística do depoimento e situação de Vorcaro

Ainda não está definido se o depoimento de Daniel Vorcaro ocorrerá na sede da PF ou no Supremo Tribunal Federal (STF), como aconteceu em dezembro. O empresário tem a opção de falar por videoconferência ou presencialmente.

Desde que teve sua prisão preventiva revogada, em 28 de novembro, Vorcaro está usando tornozeleira eletrônica e precisa de autorização judicial para se deslocar. Na última oitiva, em dezembro, ele pediu permissão ao ministro Dias Toffoli, do STF, para depor pessoalmente em Brasília.

O banqueiro, que atualmente reside em São Paulo, ainda não informou se comparecerá presencialmente ou de forma remota.

O escândalo que liquidou o Banco Master

A investigação apurou que, antes mesmo da formalização do negócio com o BRB, o Banco Master teria forjado e vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado para o banco público. Desse total, R$ 6,7 bilhões seriam referentes a contratos falsos e outros R$ 5,5 bilhões em prêmios e bônus sobre o valor supostamente da carteira.

O escândalo teve consequências graves e diretas: o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro do ano passado.

O processo é sigiloso e, desde o início de dezembro, todas as diligências e medidas relacionadas à investigação sobre o Master e Daniel Vorcaro precisam passar pela análise do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado.

No primeiro depoimento de Vorcaro, que durou quase três horas, o empresário respondeu a perguntas da delegada da PF Janaina Palazzo, do Ministério Público Federal e também a um questionário com pelo menos 80 perguntas elaboradas pelo gabinete do ministro Toffoli.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, responsável por supervisionar as instituições, já prestou depoimento, mas não participou da acareação entre Vorcaro e Costa.