A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (5) a segunda fase da Operação Pleonexia II, uma ação robusta para desarticular um sofisticado grupo especializado em lavagem de dinheiro proveniente de fraudes financeiras. O esquema criminoso, que prometia rendimentos irrealistas de até 5% ao mês em investimentos em energia solar, utilizava uma loja de carros de luxo em São Paulo para ocultar a origem ilícita dos recursos e, conforme revelado pelas investigações, os envolvidos chegavam a debochar das vítimas em conversas interceptadas.
Detalhes das prisões e apreensões
Durante a operação, a PF efetuou a prisão de um advogado em Natal, no Rio Grande do Norte, e de um empresário em São Paulo. Os nomes dos presos não foram divulgados pelas autoridades. Além disso, a polícia apreendeu mais de 75 veículos de luxo em uma concessionária de três andares localizada na capital paulista, um local que, segundo o delegado Joaquim Ciríaco, era o núcleo central da lavagem de dinheiro do esquema.
Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, ampliando o alcance geográfico da investigação. A polícia estima que aproximadamente 6,3 mil pessoas tenham sido lesadas por essa fraude, que movimentou valores astronômicos.
Deboche e confissões em mensagens interceptadas
As conversas por mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam um cenário de cinismo por parte dos investigados. Em um dos diálogos, um dos suspeitos admitiu claramente que o negócio se tratava de um esquema de pirâmide financeira, afirmando com desdém que "sempre tem um otário para cair", seguido de risadas. Outras mensagens mostram os golpistas comentando que as vítimas assinavam contratos "mesmo que não esteja nada funcionando", em referência aos painéis solares que, na realidade, não produziam energia.
Em outro trecho, um investigado pergunta se um apartamento em uma foto pertence a ele, recebendo uma resposta afirmativa, ao que ele responde: "Mano, eu nem sei o que eu tenho", demonstrando a magnitude dos bens acumulados por meio do esquema fraudulento.
Estrutura do esquema criminoso
De acordo com o delegado Joaquim Ciríaco, a operação de lavagem de dinheiro era centralizada em São Paulo, onde uma revenda de veículos de luxo recebia recursos através de um operador financeiro, com o objetivo específico de lavar e blindar a origem ilícita do dinheiro. Essa blindagem visava proteger o líder da organização criminosa, que já se encontra preso desde o início do ano passado.
A empresa principal utilizada para aplicar o golpe estava sediada em Natal, mas atuava em todo o país. Segundo o delegado, os criminosos escolheram Natal devido à sua alta incidência solar, o que facilitava a narrativa enganosa sobre investimentos em energia solar. As empresas envolvidas estavam registradas em nome de laranjas, indivíduos que emprestavam seus nomes para ocultar os verdadeiros responsáveis.
Bloqueio de R$ 244 milhões e dimensão da fraude
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 244 milhões em bens e valores dos investigados, uma medida destinada a garantir o ressarcimento das vítimas. Conforme explicou a PF, os golpistas ofereciam investimentos em cotas de painéis solares administrados pela empresa de Natal, mas a empresa sequer atuava no ramo de energia solar e não possuía autorização dos órgãos reguladores para operar.
"Para se ter uma dimensão do valor movimentado pela fraude, movimentaram, só nas contas bancárias, mais de R$ 160 milhões", destacou o delegado Ciríaco. Na primeira fase da operação, realizada em fevereiro de 2025, a PF e a Receita Federal já haviam apreendido diversos bens e bloqueado pouco mais de R$ 80 milhões, incluindo artigos raros de colecionador, como uma bola autografada de Pelé, uma chuteira de Messi e uma raquete do tenista Roger Federer.
Conclusão e impacto social
A Operação Pleonexia II evidencia a complexidade e a ousadia de esquemas criminosos que se aproveitam de temas atuais, como a energia sustentável, para aplicar golpes financeiros em larga escala. A ação da Polícia Federal, com apoio da Receita Federal, não apenas resultou em prisões e apreensões significativas, mas também trouxe à tona a crueldade dos envolvidos, que zombavam das vítimas enquanto desviavam milhões de reais.
Esse caso serve como um alerta para investidores, reforçando a importância de verificar a idoneidade das empresas e a legalidade das operações antes de aplicar recursos. As investigações continuam em andamento, com foco em desvendar todas as ramificações desse esquema que causou prejuízos financeiros e emocionais a milhares de brasileiros.