Uma investigação do jornal O Globo trouxe à tona uma operação de comunicação que envolveu o pagamento de valores milionários a influenciadores digitais. O objetivo era promover uma imagem positiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e levantar questionamentos públicos sobre a atuação do Banco Central em relação à instituição financeira.
Contratos sigilosos e valores estratosféricos
De acordo com a reportagem publicada em 8 de janeiro de 2026, os valores pagos aos criadores de conteúdo chegaram a R$ 2 milhões de reais. Um dos influenciadores envolvidos, que possui mais de um milhão de seguidores, teria firmado um contrato para produzir oito publicações por mês, durante três meses, sempre com foco em enaltecer o banco e seu principal executivo.
O acordo incluía uma cláusula de confidencialidade, que impedia a divulgação dos termos. Os pagamentos não foram feitos diretamente, mas por meio de uma agência de comunicação, em um esquema que buscava profissionalizar e amplificar as mensagens nas redes sociais.
Estrutura profissional e segundo influenciador
A operação contou com uma estrutura profissional voltada para a gestão da imagem. Os recursos teriam sido repassados pela agência MiThi, pertencente a Thiago Miranda. A estratégia digital visava influenciar diretamente a percepção do público sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
A reportagem também identificou um segundo influenciador, com menos de 500 mil seguidores, que teria recebido R$ 250 mil reais pela produção de 24 conteúdos ao longo do mesmo período de três meses, seguindo o mesmo modelo de atuação.
Proposta a deputado e motivação política
O caso ganhou um contorno político quando o deputado estadual Leo Siqueira (Novo) confirmou ao jornal que foi abordado com uma proposta semelhante. Segundo ele, os contatos cessaram assim que ficou claro que a campanha tinha como finalidade defender Vorcaro.
A escolha por Siqueira não pareceu aleatória. O parlamentar é conhecido por suas críticas recorrentes ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o que, de acordo com a apuração, teria motivado o interesse inicial em seu envolvimento na estratégia.
Implicações e questionamentos
A revelação levanta sérias questões sobre o uso de orçamentos vultosos e canais de influência digital para moldar narrativas públicas sobre figuras e instituições do mercado financeiro. A tentativa de desviar o foco das ações de fiscalização do Banco Central por meio de uma campanha paga e sigilosa coloca em debate os limites da comunicação corporativa e a transparência nas relações entre o setor financeiro e formadores de opinião.
O caso expõe uma prática que, embora possa não configurar ilegalidade per se, opera na zona cinzenta da ética e da divulgação de conteúdo patrocinado, especialmente quando envolve discussões sobre órgãos reguladores de grande impacto na economia.