Operação prende suspeitos de fraudar R$ 322 milhões em fintechs no Maranhão e RJ
Fraude de R$ 322 milhões em fintechs: presos no Maranhão e RJ

Operação combate esquema de fraudes milionárias contra fintechs com prisões no Maranhão

A Polícia Civil do Maranhão, em apoio às investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, prendeu dois homens durante a "Operação Pecúnia Obscura", realizada nesta quarta-feira (4). A ação visa desarticular um esquema criminoso que causou prejuízos estimados em R$ 322 milhões a empresas de tecnologia financeira, conhecidas como fintechs.

Detalhes das prisões em São José de Ribamar

Os presos foram identificados como Alex Maylon Passinho Dominici e Celis de Castro Medeiros Júnior. As capturas ocorreram nos bairros Cohatrac V e Araçagi, na região da Grande São Luís. No Cohatrac V, próximo à Estrada da Maioba, equipes da Superintendência Estadual de Investigação Criminal (Seic) efetuaram uma prisão em um condomínio residencial.

Já no Araçagi, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na residência do segundo suspeito. Durante a ação, foram encontradas munições de uso restrito, o que resultou na prisão em flagrante do indivíduo. Ambos foram conduzidos a uma unidade policial e permanecem à disposição da Justiça.

Estrutura do esquema criminoso investigado

De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), responsável pela investigação, o grupo utilizava empresas de fachada e movimentações financeiras complexas para ocultar a origem ilícita do dinheiro. Parte significativa dos valores era enviada ao exterior por meio de plataformas de criptomoedas, estratégia empregada para dificultar o rastreamento das transações e a recuperação dos recursos.

Os promotores também identificaram transferências feitas por um dos investigados para a empresa GAS Consultoria, ligada ao empresário Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como "Faraó dos Bitcoins", que já foi alvo de investigações por suspeita de pirâmide financeira com criptoativos.

Abrangência da operação e crimes apurados

A "Operação Pecúnia Obscura" foi deflagrada simultaneamente no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Maranhão, com foco em fraudes praticadas na Região dos Lagos do RJ. Até o momento, três pessoas foram presas no total, incluindo os dois detidos no Maranhão e um no Rio de Janeiro, enquanto um quarto suspeito encontra-se foragido.

As equipes policiais cumpriram 4 mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão. A Justiça determinou ainda o sequestro de bens, móveis, imóveis e a quantia de R$ 150 milhões. O MPRJ denunciou 11 pessoas pelo esquema, que é investigado pelos crimes de:

  • Organização criminosa
  • Estelionato
  • Falsificação de documento público
  • Uso de documento falso
  • Lavagem de dinheiro

Origem das investigações e metodologia das fraudes

As apurações tiveram início em março de 2021, quando uma fintech relatou ter sido vítima de um golpe de R$ 1 milhão. A investigação revelou que o grupo explorava falhas sistêmicas em fintechs e plataformas de pagamentos. Em apenas uma empresa lesada, foram identificadas 238 contas digitais abertas com documentos falsos para transações fraudulentas.

O acionamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) permitiu descobrir que o bando movimentou quantias muito superiores ao inicialmente estimado. "Para ocultar o dinheiro ilícito, os denunciados estruturaram um complexo esquema de lavagem de capitais que envolvia o uso de criptoativos, a simulação de compra e venda de veículos, a aquisição de terrenos e imóveis e a utilização de empresas de fachada", afirmou o MPRJ em nota.

As investigações continuam em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema, que operava há aproximadamente cinco anos.