Polícia desmonta esquema de sonegação fiscal de R$ 55,9 milhões no agronegócio
Esquema de sonegação fiscal no agronegócio causa prejuízo milionário

A Polícia Civil está investigando um grupo especializado em sonegação fiscal no setor do agronegócio, que causou um prejuízo superior a R$ 55,9 milhões aos cofres estaduais. As investigações identificaram um esquema sofisticado que utilizava empresas de fachada para simular negociações milionárias com grãos, gerando créditos fraudulentos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Operação El Dourado prende suspeitos e apreende provas

Durante a operação batizada de El Dourado, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva. Um homem de 29 anos, apontado como o principal responsável pelo esquema, foi preso em Unaí, Minas Gerais. Em Palmas, Tocantins, um contador de 31 anos, que operava o financeiro da organização, também foi detido. As buscas por um terceiro suspeito, que está foragido, continuam em andamento.

Na mesma ação, uma terceira pessoa foi presa em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma de fogo. Os policiais cumpriram ainda seis mandados de busca e apreensão, dois em Unaí e quatro em Palmas, onde foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e computadores que podem conter evidências cruciais para o desvendamento completo do esquema.

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Estrutura fictícia e operações remotas

Segundo as investigações, as empresas envolvidas operavam com estruturas que não correspondiam à realidade declarada. A sede de uma das principais empresas funcionava em um espaço de apenas 24 metros quadrados, equipado com uma mesa, uma cadeira e um notebook, sem qualquer indício de atividade real no setor agropecuário.

Ex-funcionárias relataram em depoimentos que eram contratadas para manter o local aberto, dando uma aparência de legalidade. Elas eram orientadas a instalar softwares de acesso remoto, permitindo que os líderes da organização controlassem os computadores a partir de outras localidades, simulando assim operações no Tocantins de maneira completamente virtual.

Movimentação financeira fraudulenta e uso de "laranjas"

O esquema utilizava notas fiscais falsas para simular negociações com grãos como soja e milho. Em apenas seis meses, uma das empresas declarou uma movimentação financeira superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas cerca de R$ 39 mil em tributos, evidenciando a magnitude da fraude.

A polícia identificou que o grupo recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica para atuarem como "laranjas". Essas pessoas eram inseridas como sócias em empresas constituídas como sociedades limitadas unipessoais, com capital social declarado de até R$ 10 milhões, integralizado de forma fictícia.

Quando a Secretaria da Fazenda detectava irregularidades e bloqueava a inscrição estadual de uma empresa, o grupo simplesmente ativava uma nova para dar continuidade às ilegalidades, demonstrando uma operação contínua e resiliente.

Impacto econômico e investigações em andamento

O prejuízo de mais de R$ 55,9 milhões representa um golpe significativo nos cofres públicos, afetando diretamente a arrecadação estadual. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados.

Os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados oficialmente, o que impede o contato com suas defesas. A polícia trabalha agora na análise detalhada dos documentos e equipamentos apreendidos, buscando desvendar completamente a rede criminosa e evitar que novos esquemas semelhantes surjam no futuro.

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