Justiça torna réus três empresários de Ribeirão Preto por sumir com dinheiro de investidores
Empresários viram réus por sumir com dinheiro de investidores

Justiça torna réus três empresários de Ribeirão Preto por sumir com dinheiro de investidores

A Justiça Federal aceitou uma denúncia contra três empresários de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, acusados de causar prejuízos a clientes de corretoras de investimentos e realizar operações financeiras sem autorização do sistema financeiro nacional. Breno Pignata, Felipe Rassi e Edilson Games vão responder por crimes financeiros e associação criminosa, conforme decisão expedida em janeiro pela juíza federal Milenna Marjorie Fonseca da Cunha.

Prejuízos a mais de 600 investidores

De acordo com informações do processo, mais de 600 pessoas aplicaram recursos nas empresas Mercatore e Meca Investimentos, sediadas em Ribeirão Preto, com a promessa de rentabilidade acima da média do mercado. No entanto, os investidores ficaram sem acesso aos rendimentos e aos aportes realizados, configurando um cenário de perdas significativas.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os réus captaram recursos financeiros convencendo as vítimas a investir em um fundo de investimentos próprio das empresas. Além de promessas de rentabilidades atrativas e prejuízos limitados, os acusados ofereciam um fundo garantidor próprio, semelhante ao Fundo Garantidor de Créditos da Bolsa de Valores, mas posteriormente impediram os clientes de resgatar o capital investido.

Operações irregulares e prejuízos milionários

A Polícia Federal identificou ao menos 527 transações realizadas entre julho de 2018 e novembro de 2021 que não respeitaram os contratos de prestação de serviços firmados com os clientes. Conforme a acusação, parte dos valores recebidos pela Mercatore foi destinada a empresas de capital fechado e em estágio embrionário ligadas direta ou indiretamente aos denunciados, cujos valores recebidos acabaram dissipados sem qualquer retorno aos investidores.

Outra parte dos recursos, segundo a ação judicial, foi direcionada a aplicações de elevado risco na Bolsa de Valores, resultando em um prejuízo total de R$ 16,1 milhões. A denúncia destaca que, apesar de alguns investidores terem tido acesso a resgates parciais na Mercatore, a maioria foi privada de parte ou do total do patrimônio investido quando a empresa encerrou as atividades após ser alvo de pedidos de liquidação.

Continuação das irregularidades na Meca Investimentos

Os problemas e as operações não autorizadas, de acordo com o MPF, prosseguiram na Meca Investimentos, empresa aberta por Felipe Rassi e Edilson Games. Eles levaram parte dos clientes que eram da Mercatore com a promessa de aplicação de recursos estritamente no mercado financeiro brasileiro, mas as condutas criminosas se repetiram.

Felipe acabou investindo os valores dos clientes no mercado financeiro internacional, conforme aponta a denúncia. Apesar da ruptura da sociedade entre Felipe e Breno em 2020, os contratos investigados mostram que Mercatore e Meca mantinham uma relação simbiótica, reforçando a acusação de atuação coordenada.

Posicionamento dos acusados

Procurados pela EPTV, afiliada da TV Globo, Felipe Rassi afirmou que foi vítima da Mercatore e também teve prejuízos. O advogado de Edilson Games disse que mandaria uma resposta, mas não se posicionou até a publicação desta notícia. A reportagem não conseguiu contato com Breno Pignata para obter sua versão dos fatos.

Ao término das investigações, o Ministério Público Federal denunciou os empresários por atuarem como assessores de investimento sem autorização, por praticarem gestão temerária e por apropriação indébita de valores. Estamos diante do funcionamento da Mercatore e da Meca como instituições financeiras clandestinas, destacou o MPF na denúncia, que acusa os réus de angariar valores milionários mediante a oferta irregular de contratos de investimento coletivo, sem prévio registro e autorização da autoridade competente.