Empresário de Ribeirão Preto é investigado por sumir com investimentos de clientes
Empresário de Ribeirão Preto é suspeito de sumir com investimentos

Empresário de Ribeirão Preto é investigado por sumir com investimentos de clientes

A Polícia Civil está investigando um empresário de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, por suspeita de aplicar um golpe financeiro em correntistas de um banco digital. As vítimas acusam Eduardo Scatambulo Ribeiro de estelionato após perderem o acesso aos investimentos realizados, com um casal relatando um prejuízo de cerca de R$ 500 mil. Além das investigações policiais, as partes lesadas moveram ações na Justiça na tentativa de recuperar os valores aplicados.

Denúncias e prejuízos financeiros

O empresário era um dos sócios do Tresory Bank, instituição financeira com sede em Ribeirão Preto que se apresentava como uma opção voltada para empreendedores, com menos burocracias que os bancos tradicionais. Em 2023, o banco chegou a vencer um prêmio regional na categoria "Revelação Banco Digital", o que pode ter contribuído para a confiança dos investidores.

Um empresário, que prefere não se identificar, afirma ter sido vítima do golpe após investir R$ 250 mil na instituição em 2023, atraído pela promessa de um retorno mensal de 2%. Os pagamentos da rentabilidade, no entanto, só ocorreram por dois meses antes de cessarem completamente. Segundo o relato, os rendimentos iniciais foram reinvestidos em contratações na própria empresa do investidor, que posteriormente precisou demitir os novos funcionários devido à falta de comunicação e pagamentos.

"Meados de outubro e novembro, todo mundo sumiu. Sumiu financeiro, sumiu comercial, sumiu o Eduardo. Ele não respondia mais mensagens, não notificava, não atendia telefone. Não prejudicou só eu, prejudicou muito mais gente", desabafa o empresário.

Vítimas incluem amigo de infância

O bancário Nicolas Simonacci e a administradora de empresas Mariana Santini também relatam ter sido lesados pelo Tresory Bank, com um investimento total de aproximadamente R$ 500 mil até o fim de 2025. O casal afirma que os pagamentos foram realizados por alguns meses, mas com atrasos, e a situação piorou após Mariana ser convencida a fazer um novo investimento com liquidez diária.

Quando tentaram resgatar um valor de R$ 10 mil para cobrir um imprevisto, começaram a receber desculpas e o dinheiro nunca foi liberado. "Tinha alguma coisa errada", comenta Mariana sobre a experiência frustrante.

Nicolas, que é amigo de infância de Scatambulo, confiou o dinheiro do casal devido à relação próxima. "Eu confiava nele de olho fechado e pareceu que ele iria devolver. 'Cara, você é meu irmão, você é minha família, nunca colocaria em risco o dinheiro'. É bem difícil acreditar que ele é uma pessoa dessa índole", lamenta o bancário.

Desculpas envolvendo o Vaticano

Segundo Nicolas, uma das justificativas apresentadas pelo empresário para o atraso nos pagamentos era que ele havia feito um bom negócio fora do país e aguardava a liberação de recursos para repassar aos clientes. Scatambulo teria alegado que realizou uma operação para o Ministério do Vaticano, ajudando a destravar doações de criptomoedas no valor de 32 bilhões de euros, com uma comissão de 103 milhões de euros para ele.

O casal apresentou à reportagem um extrato bancário que supostamente seria de uma conta do empresário em um banco suíço, com saldo de 103 milhões de euros. "Ele mostrava isso para outros clientes de diferentes formas, porque há documentos semelhantes com valores diferentes", explica Nicolas.

Busca por justiça e recuperação de valores

Os contratos das vítimas indicam uma casa em um condomínio de luxo em Ribeirão Preto como um dos endereços do empresário, enquanto a sede do Tresory Bank consta em um edifício no Jardim Paulistano, em São Paulo. Os investidores esperam não apenas recuperar o dinheiro aplicado, mas também que Scatambulo responda criminalmente pelo crime de estelionato.

"A gente quer reaver nosso dinheiro, encontrar o dinheiro não é uma coisa tão simples assim, mas não é só por isso que estamos processando. É por justiça no sentido de não ter impunidade, que ele responda pelos crimes que ele cometeu. Ele e quem estiver envolvido", destaca Mariana.

A defesa de Eduardo Scatambulo Ribeiro não foi localizada para comentar o assunto até a publicação desta matéria, deixando as vítimas em uma situação de incerteza e busca por respostas.