Empresária perde R$ 140 mil em golpe do falso gerente bancário em Barretos
Empresária perde R$ 140 mil em golpe do falso gerente

Uma empresária de Barretos, no interior de São Paulo, sofreu um prejuízo de R$ 140 mil após cair em um golpe aplicado por criminosos que se passaram por funcionários do banco. Franciele Gomes registrou boletim de ocorrência e conta que os golpistas invadiram o celular dela e realizaram transferências via Pix, além de sacar o limite da conta bancária.

O início do golpe

Franciele planejava uma viagem e pretendia utilizar as milhas do cartão de crédito para adquirir as passagens. Na última sexta-feira, 15 de novembro, ela recebeu uma mensagem de texto informando que 89 mil pontos acumulados expirariam naquela data. Para evitar a perda do saldo, era necessário acessar um link disponível na mensagem.

Ao clicar no link, a empresária foi direcionada a uma página que solicitava apenas o preenchimento do CPF, o que ela fez sem desconfiar. No dia seguinte, um homem identificado como Eduardo, que se apresentou como funcionário do banco onde Franciele possui conta corrente, entrou em contato. Ele informou que havia dois Pix agendados, nos valores de R$ 100 mil e R$ 40 mil, e questionou se ela havia autorizado as transações.

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A atuação dos golpistas

Como Franciele negou ter feito as operações, o suposto funcionário disse que a gerente geral, identificada como Lucimar Rufino de Oliveira, entraria em contato para desfazer as transações, alegando se tratar de um golpe. A vítima conta que, ao receber a chamada da mulher, o número dela já estava salvo em seus contatos, o que indicava que a quadrilha havia invadido o telefone e alterado dados previamente armazenados.

Durante a ligação, a falsa gerente orientou Franciele a compartilhar a tela do celular, supostamente para reverter as transações. A empresária seguiu as instruções, acreditando que estava resolvendo o problema. “Ela foi me conduzindo... ela me falou do investimento, do cartão, eram notícias que ela me dava e que eu ia entrar para reverter e fazer. Então, na hora que ela ia me falando, eu não conseguia ver, porque meus aplicativos estavam todos bloqueados”, relatou Franciele.

A golpista ainda enviou um falso boletim de ocorrência e códigos supostamente do aplicativo gov.br, com o objetivo de passar segurança à vítima. “Foi muito profissional, desde o momento em que eu recebi a ligação com os contatos salvos dentro do meu aparelho, a forma como ela me tratou, parecia que ela me conhecia, ela me passava segurança. A todo momento ela me passando segurança, fica tranquila, vai dar certo. São especialistas, não é qualquer pessoa, já trabalharam com isso, era muito perfeito, o código gov, o boletim de ocorrência. Tudo muito perfeito. E eu não desconfiei de nada”, desabafou a empresária.

A descoberta do golpe

Franciele passou cerca de duas horas ao telefone com a falsa gerente, acreditando que estava cancelando os Pix agendados. No entanto, durante esse período, os criminosos realizaram transferências que totalizaram R$ 140 mil. A farsa só foi descoberta quando uma amiga que acompanhava a movimentação insistiu para que Franciele ligasse para o verdadeiro gerente da sua conta.

“Liguei para o meu gerente de Barretos. Ele disse ‘desliga agora e vai na delegacia’. Eu fui acreditando. Vi que eu tinha caído num golpe, fui na agência, consegui bloquear os cartões, raparam meu limite de outro banco no valor de R$ 15 mil. Eles tinham entrado no aparelho”, contou Franciele.

Desapontada, a empresária lamentou o prejuízo. Apesar de se sentir envergonhada, decidiu expor a situação para alertar outras pessoas. Segundo ela, o valor subtraído pelos criminosos equivale a dez anos de trabalho no ramo de venda de roupas. “Pensei em sumir, desistir de tudo, a gente se sente envergonhada, passada para trás. Não é só o dinheiro, porque eu sei que Deus vai me levantar, vai levantar pessoas para me ajudar. Eu não tenho preguiça de trabalhar, mas é toda uma história. Quem me conhece sabe que eu amo o trabalho. Mas é um desespero, muitas pessoas me julgaram. Acredito que as pessoas podem ficar alertas com a minha história. Eu me senti culpada, mas eu sou uma vítima”, concluiu.

O caso foi registrado na Polícia Civil de Barretos como estelionato. As autoridades investigam o crime e orientam a população a redobrar a atenção com mensagens suspeitas e ligações que solicitem dados pessoais ou acesso remoto ao celular.

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