Assembleia para ressarcimento de cafeicultores é suspensa após desvio milionário
A Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) cancelou a assembleia que estava marcada para sábado (24) com os produtores rurais. O encontro tinha como objetivo discutir o ressarcimento de mais de 22 mil sacas de café que desapareceram dos barracões da cooperativa, causando um prejuízo estimado em R$ 52 milhões.
Presidente foragido e investigação concluída
O presidente da Cocapil, Elvis Vilhena Faleiros, tem um mandado de prisão expedido e está foragido. A Polícia Civil concluiu o inquérito em 12 de janeiro, apontando crimes de associação criminosa, apropriação indébita e gestão temerária. Segundo o delegado Estevan Ferreira, apenas Faleiros teve a prisão decretada, embora outros dois diretores tenham sido investigados.
Em suas redes sociais, a cooperativa informou que a assembleia foi suspensa por motivos técnicos alheios ao local, deixando os cafeicultores sem previsão para receber os valores. A Cocapil prometeu anunciar uma nova data ou convocar individualmente os produtores para formalizar termos de transação.
Origem do caso e vítimas afetadas
O desaparecimento das sacas começou a ser descoberto em agosto do ano passado, quando produtores tentaram retirar os grãos armazenados e não os encontraram. Ao todo, 30 produtores foram ouvidos pela polícia, com vítimas de cidades como:
- Ibiraci, Cássia, Capetinga e Claraval no Sul de Minas
- Franca e Cristais Paulista no interior de São Paulo
O advogado da cooperativa afirma que Faleiros não se entregou porque está buscando meios particulares para pagar os débitos, e cerca de 170 pessoas devem ser ressarcidas.
Impacto devastador nas vítimas
Entre os afetados, o produtor rural Éder Valdomiro de Carvalho perdeu 260 sacas, com prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 milhão. Ele relatou a tristeza de confiar na cooperativa, especialmente com seu pai doente e necessitando de cuidados médicos caros.
Outro produtor, Evaldo Luis Vilhena Carvalho, que utilizava os serviços da Cocapil há 15 anos, só soube da situação ao tentar receber valores. Ele contou que inicialmente foi informado de que era boato, mas depois descobriu que o café havia sido vendido sem permissão.
O caso expõe falhas graves na gestão cooperativista e deixa dezenas de famílias em situação financeira precária, aguardando uma solução que ainda não tem data para acontecer.