Contador com registro cassado preso por esquema de R$ 80 milhões com empresas de fachada no RS
Contador preso por movimentar R$ 80 mi com empresas de fachada

Contador com registro cassado é preso em operação que desmonta esquema milionário com empresas de fachada

Uma operação conjunta realizada nesta quarta-feira (28) pela Polícia Civil, Ministério Público e Receita Estadual resultou na prisão preventiva de um contador em Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O profissional, que teve seu registro cassado desde 2023, é suspeito de movimentar cerca de R$ 80 milhões por meio de 175 empresas de fachada, causando um prejuízo significativo aos cofres públicos.

Esquema complexo envolve múltiplos crimes e vasta rede de cumplicidade

A investigação, que culminou na operação, apurou que o esquema criminoso incluía sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Com o registro profissional cassado, o contador suspeito teria se utilizado de colegas de profissão para perpetuar as atividades ilegais. Ele é investigado por crimes como fraude processual, estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documento.

De acordo com as autoridades, as empresas envolvidas emitiam notas frias e créditos fictícios com o objetivo de reduzir débitos de ICMS. Além disso, o contador atuava na transferência de empresas endividadas para terceiros, uma manobra para burlar obrigações trabalhistas e fiscais. A polícia sustenta que ele atuava como operador financeiro de organizações criminosas, promovendo lavagem de dinheiro através de operações simuladas e circulação artificial de valores entre as empresas.

Operação abrange dois estados e resulta em apreensões significativas

No total, foram cumpridas 261 ordens judiciais no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. As ações se estenderam por diversas cidades, incluindo Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Campo Bom, Gravataí, Guaporé e Florianópolis, em Santa Catarina.

Durante a operação, houve apreensão de veículos de luxo, sequestro de imóveis e bloqueios de ativos financeiros. Onze pessoas foram obrigadas a utilizar tornozeleiras eletrônicas como medida cautelar. O Ministério Público destacou que a investigação identificou a ocultação de veículos e imóveis de luxo em nome de terceiros, incompatíveis com a renda declarada, reforçando os indícios de enriquecimento ilícito.

Ganhos pessoais e impacto financeiro do esquema criminoso

A apuração indica que o contador obteve ganhos pessoais estimados em cerca de R$ 6 milhões com as atividades ilegais. Esses recursos teriam sido utilizados para manter um padrão de vida elevado, incluindo a posse de veículos e imóveis de luxo. O prejuízo total causado pelo esquema, conforme as investigações, alcança a marca impressionante de R$ 80 milhões, evidenciando a magnitude das operações fraudulentas.

As autoridades reforçam que a operação representa um golpe significativo contra a lavagem de dinheiro e a fraude fiscal na região, destacando a importância da colaboração entre diferentes órgãos públicos no combate ao crime organizado. A investigação continua em andamento para apurar a extensão total da rede criminosa e identificar outros possíveis envolvidos.