Empresário preso pela PF é apontado como chefe de esquema de fraudes bancárias de R$ 47 milhões
Chefe de esquema de fraudes bancárias é preso pela PF em Piracicaba

Empresário suspeito de chefiar esquema milionário de fraudes bancárias é preso pela PF

O empresário Thiago Branco de Azevedo, conhecido como "Ralado", de 41 anos, foi preso nesta sexta-feira (27) após se apresentar na delegacia da Polícia Federal em Piracicaba, interior de São Paulo. Ele é apontado como o principal coordenador de uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias que movimentou pelo menos R$ 47 milhões.

Audiência de custódia e encaminhamento ao sistema prisional

Thiago compareceu à unidade policial acompanhado da esposa, Glaucia Juliana de Azevedo, e do cunhado, Julio Ricado Iglesias Oriolo. Os três eram alvos de mandados de prisão expedidos no âmbito da Operação Fallax, deflagrada pela PF na última quarta-feira. Na ocasião inicial, eles não foram encontrados em suas residências.

Na tarde desta sexta, a 1ª Vara Federal de Piracicaba homologou as prisões em audiência de custódia. Thiago e Julio foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Piracicaba, enquanto Glaucia foi conduzida à Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu.

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Estrutura complexa do esquema criminoso

De acordo com as investigações da Polícia Federal, a organização atuava com uma estrutura dividida em quatro núcleos especializados:

  1. Bancário: Responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas do sistema financeiro.
  2. Contábil: Atuava na elaboração de documentos falsos para pedidos de crédito, incluindo declarações fiscais, demonstrações contábeis e comprovantes de endereço.
  3. Financeiro: Gerenciava contas bancárias em nome de "laranjas", emitia e pagava boletos, controlava máquinas de cartão e realizava transferências suspeitas.
  4. Cooptação: Identificava e aliciava potenciais "laranjas" para figurarem como sócios de empresas fictícias.

Papéis específicos dos principais investigados

Segundo as investigações, Thiago "Ralado" coordenava todas as frentes de atuação do esquema, incluindo a captação de "laranjas", constituição de pessoas jurídicas, contato com gerentes bancários e orientação sobre produção de documentos fraudulentos.

Glaucia, sua esposa, exercia "papel central" na articulação financeira da organização, controlando contas bancárias de "laranjas", gerenciando cheques de terceiros e movimentando valores por meio de conta própria, inclusive para pagamento de comissões a gerentes.

Já o cunhado Julio teria funções centrais de operador financeiro e logístico, administrando empresas de fachada e participando de transações suspeitas que resultaram em vantagem patrimonial evidenciada pela posse de bens de luxo.

Números da Operação Fallax

A operação policial resultou em:

  • 18 pessoas presas (incluindo os três detidos nesta sexta)
  • 3 foragidos ainda sendo procurados
  • 43 mandados de busca e apreensão cumpridos
  • 21 mandados de prisão expedidos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia
  • 172 empresas que conseguiram obter financiamentos fraudulentos
  • R$ 47 milhões em bens bloqueados e sequestrados
  • Investigados 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas com quebra de sigilo bancário e fiscal

Métodos sofisticados para dificultar rastreamento

A organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais complexas para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários cooptados em instituições financeiras inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas.

Os valores fraudados eram convertidos em bens de luxo e criptoativos com o objetivo específico de dificultar o rastreamento pelas autoridades. As investigações indicam que as fraudes podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.

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Estilo de vida luxuoso do principal suspeito

Thiago "Ralado" mantinha um estilo de vida opulento, segundo informações da Polícia Federal. O delegado Henrique Souza Guimarães, da PF de Piracicaba, relatou que o suspeito costumava dar festas para cantores sertanejos e ostentava carros de alto padrão em suas redes sociais.

"Era ele que fazia contato com os gerentes das instituições financeiras, que conseguia contato com as pessoas que iam emprestar os nomes para figurarem nessas empresas", afirmou o delegado, destacando a capacidade de articulação do empresário para cooptar pessoas para o crime.

Defesas ainda não se manifestaram

O portal g1 não conseguiu contato com as defesas dos três principais investigados. Entre os outros suspeitos está Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor, cuja defesa afirmou que vai prestar esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação.

A operação continua em andamento com o objetivo de identificar todos os envolvidos e recuperar os valores desviados do sistema financeiro brasileiro.