Casal é preso em São José dos Campos suspeito de aplicar golpes milionários com brechó de luxo
Um casal foi preso nesta quinta-feira (29) no bairro Urbanova, em São José dos Campos, interior de São Paulo, suspeito de aplicar golpes que podem chegar a R$ 5 milhões por meio de um brechó online de artigos de luxo. Francine Prado e Filipe Prado dos Santos são investigados pela Polícia Civil por calotes que teriam afetado centenas de clientes em diversas regiões do Brasil.
Estratégia de marketing e acusações de fraude
Francine Prado se apresentava nas redes sociais como uma estrategista no mercado de revenda de produtos de luxo e comercializava um livro digital por R$ 197, prometendo compartilhar sua experiência de mais de dez anos à frente do brechó online Desapego Legal. O material descrevia a empresa como um dos maiores do país no setor de produtos de luxo usados.
No entanto, clientes de todo o Brasil acusam a empresária de receber joias, bolsas e roupas de grife para revenda e não repassar os valores combinados, nem devolver os itens. O caso foi revelado pelo programa Fantástico em janeiro do ano passado, e desde então as denúncias se multiplicaram.
Investigação policial e ações judiciais
As prisões ocorreram durante o cumprimento de mandados de prisão temporária e busca e apreensão expedidos pela Justiça do Piauí, onde tramita o processo. Um veículo foi apreendido durante a operação, registrada pela Delegacia de Investigações Criminais (Deic).
Segundo a investigação, centenas de clientes relataram prejuízos semelhantes. Em um grupo criado em um aplicativo de mensagens, mais de 200 pessoas trocaram informações sobre valores não recebidos. Na época das primeiras denúncias, havia quase 100 ações judiciais contra a empresa, além de diversos boletins de ocorrência registrados.
Defesa do casal e recuperação judicial
Em nota, a defesa do casal afirmou ter sido surpreendida pela ordem de prisão e informou que o brechó entrou em recuperação judicial, com pedido aceito pela Justiça, com o objetivo de ressarcir os clientes. Os advogados negaram qualquer intenção de fraude e destacaram que o processo de recuperação segue seu curso regular, com a relação completa de credores apresentada nos autos.
A defesa também ressaltou que Francine e Filipe sempre atenderam às convocações judiciais e jamais se furtaram ao comparecimento em atos processuais. Eles confiam no regular funcionamento das instituições e do Poder Judiciário, segundo a nota.
Repercussão e desdobramentos
Em janeiro do ano passado, após as primeiras denúncias, Francine Prado admitiu falhas administrativas durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, mas afirmou que os problemas seriam resolvidos. A Polícia Civil segue investigando o caso e apura se há outras vítimas.
O caso chama a atenção para os riscos de transações online envolvendo produtos de alto valor e destaca a importância da fiscalização em negócios digitais. A Secretaria da Segurança Pública reforçou que as prisões foram realizadas com base em evidências coletadas ao longo da investigação.