Casal é preso em São José dos Campos por suspeita de calote milionário em brechó de luxo
A empresária Francine da Costa Prado e seu marido, Filipe Prado dos Santos, foram presos em São José dos Campos, no estado de São Paulo, após serem acusados de aplicar calotes em clientes e fornecedores do brechó de luxo Desapego Legal. A prisão temporária foi decretada pela Justiça do Piauí e mantida nesta sexta-feira (30), conforme informações obtidas pelo g1.
Faturamento milionário e prejuízos acumulados
De acordo com documentos apresentados pela própria empresa em um processo de recuperação judicial, o Desapego Legal declarou receitas brutas impressionantes. Em 2022, o faturamento foi de R$ 48,8 milhões, subindo para R$ 50,8 milhões em 2023. No entanto, em 2024, a situação financeira deteriorou-se drasticamente, com um faturamento de apenas R$ 5,6 milhões e um prejuízo acumulado de R$ 14,6 milhões.
O relatório judicial levantou dúvidas sobre a viabilidade econômica da empresa e a boa-fé no pedido de recuperação, destacando a falta de movimentação financeira compatível com a operação do brechó. A empresa atribuiu a crise a custos operacionais elevados, aumento no valor dos produtos e falhas na gestão após um crescimento acelerado.
Esquema de golpes e credores milionários
O caso veio à tona em janeiro do ano passado, quando uma reportagem do Fantástico revelou que clientes de todo o Brasil acusavam o brechó online de aplicar golpes que somavam cerca de R$ 5 milhões. A lista de credores no processo inclui valores individuais que ultrapassam R$ 1 milhão, com dívidas totais estimadas em R$ 20 milhões, envolvendo quase 700 credores.
O brechó funcionava em uma área nobre de São José dos Campos, no bairro Urbanova, mas foi desocupado no ano passado devido a problemas com o pagamento do aluguel. As prisões ocorreram durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça do Piauí, onde o processo criminal e cível está em tramitação.
Defesa do casal e processo de recuperação judicial
A defesa do casal informou que o brechó entrou com um pedido de recuperação judicial, já aceito pela Justiça, com o objetivo de viabilizar o ressarcimento dos clientes. Os advogados afirmaram que a empresa vinha cumprindo os trâmites legais para resolver as pendências financeiras e que os sócios sempre atenderam às convocações judiciais.
Em nota, a defesa destacou que o processo de recuperação judicial segue seu curso regular, com créditos a serem tratados no âmbito legal. No entanto, não há informações oficiais sobre o período de prisão ou para quais presídios o casal será levado. O Tribunal de Justiça do Piauí não se pronunciou sobre o caso.
O caso continua sob investigação policial, com implicações tanto na esfera criminal quanto na cível, enquanto os afetados aguardam resolução.