Casal é preso por agiotagem e lavagem de dinheiro em Baixo Guandu, Espírito Santo
Uma operação policial realizada nesta terça-feira (3) resultou na prisão de um casal suspeito de envolvimento em crimes financeiros de grande escala no estado do Espírito Santo. Bruno Soares Mendonça, de 37 anos, conhecido pelo apelido "Leite Ninho", e sua esposa, Bárbara Alves Foeger, de 34 anos, foram detidos em sua residência de luxo localizada em Baixo Guandu, na região Noroeste do estado.
Operação Castelo de Areia e bloqueio de bens
A ação, batizada de Operação Castelo de Areia, cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do Espírito Santo e também em Aimorés, Minas Gerais. Durante as buscas, foram apreendidos itens de valor considerável, incluindo:
- Três armas de fogo e diversas munições
- R$ 42,3 mil em dinheiro vivo
- Veículos de luxo, como uma BMW X4 e uma SW4 blindada
- Joias, celulares e equipamentos eletrônicos
- Mais de 1.500 notas promissórias, cheques e documentos financeiros
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 70 milhões em bens e valores suspeitos movimentados pelo casal desde 2018, além de dois imóveis de alto padrão. Segundo a Polícia Civil, esse montante representa movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Histórico criminal e mudança de atuação
Bruno Soares Mendonça já possui um extenso histórico criminal, sendo considerado anteriormente um dos maiores suspeitos de roubos a carga e bancos em todo o país. Sua primeira prisão ocorreu em fevereiro de 2022, quando foi apontado como líder de uma quadrilha que furtou R$ 600 mil de uma agência do Banco do Brasil em Guarapari.
De acordo com as investigações, nos últimos anos Bruno abandonou crimes violentos e passou a atuar em fraudes financeiras mais estruturadas. "Ele praticou diversos crimes violentos, como roubo a carga, com restrição de liberdade da vítima. Hoje, a prática dele é mais voltada a crimes menos violentos fisicamente, mas mais agressivos à atividade financeira e à sociedade", afirmou o delegado Anderson Pimentel.
Esquema criminoso e participação da esposa
O casal estaria envolvido em um sofisticado esquema que incluía:
- Agiotagem: com uso de imóveis e veículos como garantia em empréstimos ilegais
- Lavagem de dinheiro: através de empresas de fachada, como uma clínica de estética administrada por Bárbara
- Fraudes contra seguradoras: incluindo roubos de veículos forjados para recebimento de indenizações
- Extorsão e outros crimes financeiros
A polícia afirma que Bárbara Alves Foeger participava ativamente de todas essas ações, atuando como peça fundamental na dissimulação do patrimônio ilícito.
Defesa contesta legalidade da prisão
Os advogados do casal emitiram uma nota contestando a legalidade da prisão, afirmando que a medida tem caráter temporário e está "relacionada a fatos antigos, considerados extemporâneos". A defesa argumenta que todas as provas citadas pela investigação já estavam produzidas e que não haveria risco de interferência por parte dos investigados, tornando a decisão judicial prematura e desnecessária.
Investigações em andamento
O inquérito policial segue apurando os crimes de organização criminosa e lavagem de capitais, além de possíveis delitos como falsidade ideológica, fraude contra seguradoras e posse irregular de munição. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros envolvidos e mapear novas ramificações do esquema criminoso.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, "Ele age de forma tranquila, ele não exterioriza um fator de criminoso nato. Ele é tranquilo, ele vive sem chamar a atenção", destacando a discrição com que o casal mantinha suas atividades ilícitas.
A operação representa um significativo golpe contra o crime organizado financeiro no Espírito Santo, com potencial impacto na recuperação de valores desviados e na desarticulação de redes criminosas que atuam na região.