Contrato de R$ 800 mil em campanha digital pró-Master mira BC e investigadores
Campanha digital pró-Master envolve contrato de R$ 800 mil

Uma campanha digital orquestrada para defender o Banco Master e atacar o Banco Central (BC) e investigadores envolveu um contrato de confidencialidade no valor de R$ 800 mil. A operação, batizada internamente de "projeto DV" – iniciais que coincidem com as do CEO do Master, Daniel Vorcaro –, recrutou perfis em redes sociais para um bombardeio de publicações em meados de dezembro.

Articulação e Recrutamento de Parlamentares

A articulação da campanha partiu do marketeiro André Salvador, sócio da empresa Unltd Network. Em 20 de dezembro, ele procurou o vereador e influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que possui 1,7 milhão de seguidores no Instagram. Salvador apresentou o trabalho como um serviço de "gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande".

No dia seguinte, 21 de dezembro, o mesmo profissional entrou em contato com o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), que tem 592 mil seguidores. Salvador se identificou como funcionário da agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. Ambos os parlamentares recusaram a proposta, conforme gravações de tela obtidas pela reportagem.

O contrato de confidencialidade apresentado a Rony Gabriel previa multa de R$ 800 mil por quebra de sigilo. O documento protegia estratégias de comunicação, planos, informações jurídicas e financeiras, além dos nomes de todos os envolvidos na campanha.

Conteúdo da Campanha e Negativas

Como parte da abordagem, André Salvador enviou ao vereador exemplos de vídeos críticos à atuação do BC no caso Master, produzidos por influenciadores financeiros e pelo perfil de humor Alfinetada. Este último publicou conteúdo contra o ex-diretor do BC Renato Gomes em 30 de dezembro.

Entre os supostos contratados estariam os influenciadores de educação financeira Carol Dias e André Dias, do Irmãos Dias Podcast. Eles negaram veementemente a participação paga. Carol Dias afirmou que seu advogado vai processar quem a acusar, e ressaltou que seu conteúdo sempre se baseia em fatos comprovados.

O Grupo Farol, assessor do perfil Alfinetada, também se distanciou, afirmando nunca ter sido procurado para negociar qualquer comunicação relacionada ao Banco Master.

Contexto Jurídico e Alvos da Ofensiva

A campanha digital coincidiu com o início da guerra jurídica travada no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU) entre os investigadores do caso e os advogados do Banco Master.

O alvo central das publicações encomendadas foi o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC, Renato Gomes, cuja área recomendou o veto à compra do Master pelo BRB. Também foram atacados o presidente do BC, Gabriel Galípolo, seus familiares, o diretor de Fiscalização, Aílton de Aquino Santos, além de banqueiros e associações que defenderam publicamente a decisão técnica de liquidar o Master.

As informações sobre os contratos com influenciadores foram inicialmente reveladas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A reportagem tentou contato com André Salvador e Thiago Miranda, que não responderam.