Advogado de corretora investigada por estelionato em Ribeirão Preto nega intenção de golpe
O advogado Tiago Lopes, representante da corretora de imóveis Josiane Maria Barbosa Passos, investigada por suspeita de estelionato em Ribeirão Preto (SP), afirmou nesta segunda-feira (20) que sua cliente apenas realizou "negócios mal conduzidos" e negou veementemente qualquer intenção de aplicar golpes. A declaração ocorre em meio a pelo menos sete boletins de ocorrência registrados contra a profissional, cujo registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) encontra-se suspenso.
Defesa argumenta sobre indenizações futuras
Em entrevista, Tiago Lopes destacou: "Existem negócios mal realizados, mas a intenção de estelionato, a intenção de golpe não existe por parte da minha cliente. Se for apurado que realmente as vítimas foram lesionadas, ela vai indenizar cada uma delas". No entanto, as vítimas alegam que Josiane continua atuando no ramo imobiliário mesmo com a situação irregular.
Método suspeito e vítimas com prejuízos significativos
A investigação aponta que a corretora supostamente cobrava pagamentos antecipados como garantia para reservar imóveis, alegando que isso impediria que as propriedades fossem alugadas ou vendidas a terceiros. Contudo, as casas permaneciam disponíveis no mercado, gerando prejuízos financeiros aos clientes.
Entre os casos relatados, destacam-se:
- Uma mulher que perdeu R$ 10 mil em fevereiro ao confiar em Josiane para a compra da casa própria.
- A conferente de logística Camila Kauiza Luna da Silva, que pagou R$ 10 mil de entrada em uma casa, mas a negociação nunca foi concluída. "Eu me sinto arrasada. Ela destruiu o nosso sonho", desabafou Camila.
- A dona de casa Daniele da Silva Barbosa, que transferiu mais de R$ 5 mil e descobriu uma família morando no imóvel que negociava. "Só mentira atrás de mentira", afirmou.
Inquéritos policiais em andamento e alegações de intimidação
O advogado informou que existem dois inquéritos policiais em andamento investigando Josiane, mas ela ainda não foi intimada pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos. "Ela diz que, quando for intimada a responder, vai indenizar cada uma das pessoas que realmente foi apurado que houve uma lesão", completou Tiago Lopes.
Um aspecto alarmante do caso envolve a secretária Letícia Lara de Moraes, que busca receber R$ 19 mil de uma negociação fracassada. Ela relatou ter recebido mensagens de um perfil falso de policial, usando foto de um agente civil do Rio de Janeiro falecido em 2021, que afirmava estar agindo em nome de Josiane. As mensagens sugeriam um acordo "sem envolver familiares e nem vida social", o que foi interpretado como tentativa de intimidação.
Resposta da defesa e situação atual
A defesa de Josiane declarou desconhecer os fatos apontados na reportagem, alegando que eles não constam em boletins de ocorrência. Enquanto isso, as vítimas continuam a buscar justiça e ressarcimento pelos prejuízos sofridos, mantendo a esperança de que as investigações avancem e responsabilizem os envolvidos.



