Vídeo viral de confronto entre policial e agentes do ICE é identificado como fake gerado por IA
Um vídeo que circula intensamente nas redes sociais, supostamente mostrando um policial de Nova York confrontando agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), foi desmascarado como falso. A gravação, que viralizou no Instagram no último domingo (25), foi criada utilizando inteligência artificial, conforme confirmado por múltiplas ferramentas de detecção especializadas.
Conteúdo enganoso e contexto sensível
O post enganoso apresenta uma legenda que afirma: "Policial de Nova York confronta agente do ICE durante operação de imigração", mas omite deliberadamente que o registro é uma produção artificial. A cena manipulada mostra um policial apontando o dedo e gritando com dois agentes, dizendo: "O que eu te disse? Você não chega aqui sequestrando pessoas na esquina como se fosse um fim de mundo atrasado. Isso aqui é Brooklyn. Você pode fazer essas coisas em outros estados, mas não aqui". Sobre a gravação, uma caixa de texto adicionada reforça a narrativa falsa: "Policial local heroicamente enfrenta o ICE para defender imigrantes".
Muitos usuários, ao visualizarem o conteúdo, expressaram dúvidas sobre sua veracidade nos comentários. A viralização ocorre em um momento delicado, apenas um dia após o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, ter sido morto a tiros por um agente de imigração do Departamento de Segurança Interna durante protestos em Minneapolis. Embora autoridades federais aleguem que Pretti sacou uma arma, análises do "The New York Times" não encontraram evidências visuais que sustentem essa versão.
Este episódio se insere em uma sequência preocupante de abordagens violentas e prisões sem explicação clara por parte do ICE. No início do mês, agentes da mesma instituição mataram uma mulher na mesma cidade, mobilizando atos de protesto em todo o país. Em 22 de janeiro, ao menos quatro crianças, incluindo uma de apenas 5 anos, foram detidas, aumentando a tensão em torno das políticas migratórias.
Ferramentas de detecção confirmam manipulação por IA
Para verificar a autenticidade do vídeo, a equipe de checagem submeteu a gravação a três ferramentas especializadas em identificar conteúdo gerado por inteligência artificial. Os resultados foram unânimes e conclusivos:
- Hive Moderation: apontou 99,9% de chances de o vídeo ter sido criado com IA.
- Sightengine: indicou 99% de probabilidade de manipulação artificial, além de sugerir, com 94% de confiança, que a plataforma Sora da OpenAI (responsável pelo ChatGPT) foi utilizada na produção.
- Was It AI: embora não forneça uma porcentagem exata, a análise de uma captura de tela do vídeo afirma: "Nós estamos bastante confiantes de que essa imagem, ou parte significativa dela, foi criada com IA".
Além dos resultados técnicos, a gravação apresenta sinais visíveis de manipulação digital. Entre os indícios estão frases em línguas inexistentes ou sem sentido, encontradas no brasão do uniforme do policial e em uma placa de rua mostrada no vídeo. Esses detalhes reforçam a natureza fabricada do conteúdo, que busca simular uma realidade distorcida.
Impacto das fake news e importância da verificação
A disseminação de vídeos falsos como este evidencia os riscos crescentes associados à inteligência artificial mal utilizada. Em um contexto de polarização política e debates acalorados sobre imigração, conteúdos manipulados podem inflamar paixões, espalhar desinformação e dificultar o diálogo baseado em fatos. A rápida viralização deste material, aproveitando-se de eventos reais e traumáticos, mostra como as fake news se alimentam de momentos de crise e comoção pública.
É fundamental que os usuários das redes sociais adotem uma postura crítica perante conteúdos sensacionais, especialmente aqueles que envolvem figuras de autoridade ou situações de conflito. Verificar a fonte, buscar confirmação em veículos de imprensa reconhecidos e utilizar ferramentas de checagem disponíveis são práticas essenciais para combater a desinformação. A tecnologia, quando mal empregada, pode ser uma arma poderosa na criação de narrativas falsas, mas também oferece meios para desmascarar essas fraudes, como demonstrado neste caso.
Ao enfrentar a onda de desinformação, a sociedade deve priorizar a educação midiática e o fortalecimento de mecanismos de verificação, garantindo que a verdade prevaleça sobre a manipulação digital.