Modelo 'Barbie do Crime' é presa novamente por descumprir pena de golpes aplicados em mais de 100 vítimas
Modelo 'Barbie do Crime' presa novamente por descumprir pena de golpes

Modelo conhecida como 'Barbie do Crime' enfrenta nova prisão após descumprir condenação por golpes aplicados em mais de 100 vítimas

A modelo fotográfica Bruna Cristine Menezes de Castro, que ficou conhecida nacionalmente pelo apelido de 'Barbie do Crime', foi presa novamente nesta sexta-feira (30) no Parque Atheneu, em Goiânia, Goiás. A prisão ocorreu após ela descumprir a pena de prestação de serviços comunitários à qual havia sido condenada por aplicar golpes em mais de 100 pessoas através de anúncios falsos de produtos importados nas redes sociais.

Histórico de golpes e primeira condenação

O caso remonta a 2015, quando a modelo foi presa pela primeira vez após 20 moradores de Goiânia procurarem a polícia para denunciar os golpes aplicados por ela. Segundo as investigações da Delegacia Estadual de Defesa do Consumidor (Decon), Bruna atuava há aproximadamente cinco anos aplicando golpes através de perfis falsos nas redes sociais, onde vendia produtos como celulares, maquiagens e perfumes importados.

O delegado titular da Decon, Eduardo Prado, revelou que a modelo utilizava diversas estratégias para enganar suas vítimas:

  • Criação de múltiplos perfis com nomes falsos nas plataformas digitais
  • Uso de contas bancárias de pessoas próximas para receber os valores
  • Alegar doenças graves na família, incluindo câncer, para justificar atrasos nas entregas
  • Cancelamento sistemático de contas e criação de novos perfis para continuar as atividades fraudulentas

Em setembro de 2015, Bruna foi condenada a prestar serviços comunitários e ao pagamento de uma multa equivalente a 10 salários mínimos por vender celulares para duas pessoas e não entregar os produtos. Durante o julgamento, ela confessou os crimes e declarou estar arrependida, explicando que problemas pessoais a impediram de cumprir com as entregas prometidas.

Vítimas e prejuízos financeiros

As investigações policiais identificaram que apenas para as 20 primeiras vítimas que procuraram a polícia, o prejuízo total foi de aproximadamente R$ 50 mil. No entanto, o delegado Eduardo Prado informou que cerca de 100 novas pessoas o procuraram afirmando terem sido vítimas da modelo, indicando que o número total de prejudicados pode ser significativamente maior.

Entre as vítimas está Lucas Rodrigues Guimarães, então com 20 anos, que conheceu Bruna em uma festa de aniversário e decidiu comprar um iPhone 5S através dela. 'Depositei R$ 300 como garantia e ela começou a me enrolar, enrolar, enrolar. Ela nunca me devolveu o dinheiro nem entregou o telefone', relatou o jovem na época.

Outra vítima foi o analista de sistemas carioca Ryan Balbino, que manteve um relacionamento amoroso com Bruna entre 2011 e 2012. Ele depositou mais de R$ 15 mil em uma conta bancária no nome dela após a modelo alegar estar com câncer no útero e metástase no pâncreas, necessitando de recursos para tratamento médico. Ryan só descobriu que havia sido vítima de um golpe ao viajar do Rio de Janeiro para Goiânia e encontrar familiares da modelo, que confirmaram que ela não estava doente.

Descumprimento da pena e nova prisão

Após não cumprir a pena de prestação de serviços comunitários e não comparecer às audiências determinadas pela Justiça, a modelo teve um mandado de prisão expedido contra si. Ela se entregou à Delegacia Estadual de Capturas (Decap) em 25 de fevereiro de 2021, mas posteriormente ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar em Goiânia.

O juiz Wilson da Silva Dias, da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas da comarca de Goiânia, fundamentou a decisão de prisão ao constatar que 'desde 2017, a sentenciada não cumpre a pena de prestação de serviços à comunidade, sendo inexitosa sua localização em razão da diversidade de mudança de domicílio sem comunicar a este juízo'.

A defesa de Bruna argumentou que a prisão domiciliar foi concedida por ela ser mãe de duas crianças com menos de 12 anos, e afirmou que 'ela nunca teve a intenção de querer desvencilhar-se de suas obrigações impostas'. No entanto, a Justiça manteve a determinação de prisão após constatar o descumprimento sistemático das condições estabelecidas na sentença original.

Abordagem policial e métodos fraudulentos

A primeira prisão de Bruna ocorreu em 11 de agosto de 2015, em um apartamento do setor Jardim Goiás, em Goiânia. Segundo relatos policiais, quando a equipe chegou ao local, a modelo apresentou uma identidade que não era dela, mas de uma prima, na tentativa de evitar a captura.

As investigações revelaram que os golpes aplicados por Bruna seguiam um padrão específico:

  1. Criação de perfis atraentes nas redes sociais oferecendo produtos importados com preços abaixo do mercado
  2. Recebimento de valores através de depósitos bancários em contas de terceiros
  3. Uso de desculpas elaboradas para justificar atrasos nas entregas, incluindo problemas de saúde graves
  4. Abandono dos perfis e criação de novas contas quando as vítimas começavam a pressionar por respostas

O caso ganhou notoriedade nacional não apenas pela quantidade de vítimas, mas também pelo perfil da acusada e pelos métodos utilizados nos golpes, que exploravam a confiança das pessoas em transações realizadas através das redes sociais.