Funcionária descobre microcâmera escondida em tomada de banheiro unissex de empresa em Içara
Uma situação de invasão de privacidade chocou funcionários de uma empresa em Içara, no Sul de Santa Catarina. Na quarta-feira (4), uma trabalhadora encontrou uma microcâmera escondida dentro de uma tomada no banheiro unissex de uso exclusivo dos colaboradores. O dispositivo estava instalado embaixo de uma pia e apontado diretamente para o vaso sanitário, conforme mostrado em vídeo da Polícia Militar.
Como a câmera foi descoberta
A funcionária, que trabalhava no local há poucos dias, percebeu uma luz intermitente vindo do conector da tomada enquanto usava o banheiro. Imediatamente, ela alertou colegas e um deles confirmou a presença do objeto suspeito. A Polícia Militar foi acionada e registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por registro não autorizado de intimidade sexual e perturbação do trabalho ou sossego alheio.
Ação policial e apreensões
Os policiais militares apreenderam a microcâmera, que possuía um chip de armazenamento, além de três celulares, um computador e um notebook. O tenente-coronel Eduardo Moreno Persson, comandante do 29º Batalhão da Polícia Militar, explicou que, inicialmente, não foram identificadas imagens registradas. "Foram apreendidos os objetos, os computadores, os celulares que teriam ligação com a possível câmera", afirmou.
Posicionamento da empresa
A SS Solar Energia, empresa de energia solar onde o incidente ocorreu, emitiu uma nota declarando desconhecer a existência da câmera. "Ao tomarmos conhecimento do fato no dia de ontem, fomos pegos de surpresa, imediatamente, tomamos as medidas necessárias para que a justiça esclareça este assunto", diz trecho da comunicação. Durante a ocorrência, por volta das 18h, o responsável pela empresa compareceu ao local e, segundo a PM, afirmou não saber do que se tratava a situação, alegando que o caso estava causando transtornos no ambiente de trabalho.
Aspectos legais do caso
O TCO registrado pela Polícia Militar é um procedimento para infrações penais de menor potencial ofensivo, ou seja, crimes com pena máxima de até dois anos. Esses registros são encaminhados diretamente ao Juizado Especial Criminal, sem necessidade de passagem por delegacia. A Polícia Civil informou que não recebeu o caso.
Conforme o artigo 216-B do Código Penal Brasileiro, a pena para quem "produzir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes" é de detenção de seis meses a um ano, além de multa.
Dicas para identificar câmeras escondidas
Especialistas em segurança recomendam atenção a detalhes como:
- Luzes intermitentes em objetos comuns como tomadas e espelhos
- Dispositivos que parecem fora do lugar ou modificados
- Reflexos incomuns em superfícies reflexivas
- Comportamento estranho de equipamentos eletrônicos
O caso em Içara serve como alerta para a importância da vigilância contra invasões de privacidade em ambientes corporativos e a necessidade de medidas preventivas por parte das empresas para garantir a segurança e o bem-estar de seus funcionários.



