A empresa de inteligência artificial de Elon Musk, a xAI, foi alvo de um processo judicial movido por Ashley St. Clair, mãe de um dos filhos do bilionário. A ação, registrada na última quinta-feira, 15 de janeiro de 2026, acusa o chatbot Grok, da plataforma X, de facilitar a criação e disseminação de deepfakes sexuais não consensuais utilizando a imagem da autora.
Detalhes do processo e alegações de retaliação
No processo, Ashley St. Clair relata que usuários da ferramenta Grok produziram montagens digitais altamente ofensivas com seu rosto. As imagens falsas a mostravam em poses sexualizadas e, em um caso específico, sua roupa foi substituída por um biquíni estampado com suásticas. A autora afirma que o conteúdo causou intensa humilhação e sofrimento emocional.
St. Clair pede uma indenização por danos morais, cujo valor não foi divulgado, e uma ordem judicial para impedir que a xAI permita novas gerações desse tipo de deepfake. Ela também alega que, após denunciar as imagens, a rede social X inicialmente respondeu que o material não violava suas políticas, mas depois prometeu bloquear o uso não autorizado de sua imagem.
Contudo, a situação escalou. Segundo a Associated Press, St. Clair, que possui cerca de 1 milhão de seguidores, afirma que a plataforma retaliou contra ela ao cancelar sua assinatura premium e remover seu selo de verificação. Essa medida a impediu de monetizar sua conta. Apesar das promessas, ela alega que as imagens falsas continuaram a circular na rede.
Pressão internacional sobre o Grok e a xAI
O caso ganhou dimensão global, colocando o Grok e a moderação de conteúdo do X sob severo escrutínio regulatório. O órgão regulador de mídia do Reino Unido, o Ofcom, anunciou uma investigação formal contra a plataforma X sob a Lei de Segurança Online.
Um porta-voz do Ofcom declarou que as notícias sobre a criação de imagens íntimas ilegais e material de abuso sexual infantil usando o Grok são "profundamente preocupantes". A investigação visa apurar se a empresa cumpriu sua obrigação legal de proteger os usuários britânicos de conteúdos ilegais.
Além disso, Malásia e Indonésia se tornaram os primeiros países a proibir totalmente o acesso ao chatbot Grok. O governo indonésio classificou os deepfakes sexuais não consensuais como uma grave violação dos direitos humanos e da dignidade no espaço digital.
Respostas da empresa e debate sobre liberdade de expressão
Em resposta às críticas, o X reiterou uma declaração anterior, afirmando que toma medidas rigorosas contra esse uso indevido. A rede social disse remover conteúdo de abuso sexual infantil e imagens íntimas não consensuais, além de banir permanentemente as contas responsáveis. "Qualquer pessoa que utilize ou incentive o Grok a criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências", afirmou a empresa.
Elon Musk, por sua vez, reagiu publicamente. Em uma postagem no sábado, 10 de janeiro, ele acusou o governo britânico, ao focar no Grok e no X, de querer "simplesmente suprimir a liberdade de expressão".
Do outro lado, a ministra britânica da Tecnologia, Liz Kendall, rebateu o argumento. Ela anunciou no Parlamento a entrada em vigor de uma nova lei que proíbe a criação de imagens íntimas sem consentimento e afirmou que pretende tornar ilegal a disponibilização de ferramentas projetadas especificamente para criar deepfakes. "Trata-se de defender os valores britânicos básicos de decência e respeito", declarou.
Este caso envolvendo a xAI e o chatbot Grok deve se tornar um dos primeiros grandes testes da Lei de Segurança Online do Reino Unido, que vem sendo implementada gradualmente desde 2023. O desfecho pode estabelecer importantes precedentes para a regulação de inteligência artificial e a responsabilidade das plataformas digitais em casos de deepfake e abuso online.