Golpistas usam inteligência artificial para clonar voz de gerentes em fraudes bancárias no Brasil
A Polícia Civil de São Paulo revelou, em entrevista ao site Terra, que criminosos estão recorrendo a técnicas avançadas de inteligência artificial para aplicar fraudes cada vez mais sofisticadas no sistema bancário brasileiro. Os golpistas já conseguem clonar a voz de gerentes de banco com precisão, enganando clientes e obtendo acesso a dados sigiosos de forma alarmante.
Como funciona o golpe com clonagem de voz
De acordo com a DCCiber, divisão especializada em crimes cibernéticos da corporação, o golpe inicia com uma ligação telefônica que parece totalmente legítima. Os criminosos mascaram o número exibido no telefone da vítima para que ele apareça idêntico ao da agência bancária onde a pessoa mantém sua conta. Do outro lado da linha, o cliente acredita estar conversando com o próprio gerente, alguém com quem já teve contato anteriormente em transações rotineiras.
Segundo o delegado Paulo Barbosa, responsável pela divisão, os criminosos utilizam inteligência artificial para reproduzir com exatidão a voz do gerente, tornando a fraude ainda mais convincente. “Eles ligam dizendo que houve uma tentativa de invasão na conta, que foi bloqueada a tempo, e que a ligação é apenas uma medida preventiva”, explica o delegado. Essa abordagem cria um senso de urgência e confiança na vítima.
Etapas da fraude e roubo de dados
Na sequência da ligação, o falso gerente orienta o cliente a realizar uma suposta atualização de segurança para proteger a conta. Para isso, envia um link que imita perfeitamente a interface digital do banco, incluindo logotipos e design familiar. Ao acessar essa página falsa e preencher senhas e dados pessoais, a vítima acaba entregando todas as informações diretamente aos golpistas, sem perceber a armadilha.
“Quando a pessoa digita a senha, o golpe está consumado”, resume o delegado Paulo Barbosa, destacando a eficácia e o perigo dessas táticas fraudulentas. A polícia alerta que esse tipo de fraude tem atingido tanto idosos quanto jovens, especialmente aqueles que lidam com a vida digital de forma automática, sem desconfiar de contatos que parecem rotineiros e seguros.
Alertas da polícia e prevenção
A Polícia Civil reforça que bancos legítimos nunca solicitam senhas, códigos de segurança ou atualizações por telefone ou através de links enviados por mensagem. Qualquer contato desse tipo deve ser tratado imediatamente como uma tentativa de golpe, e os clientes são orientados a usar apenas canais oficiais das instituições financeiras para verificar informações.
Além disso, em períodos como janeiro e fevereiro, golpes costumam disparar, mirando impostos, boletos e transações via Pix. Entre as fraudes mais comuns nessa época estão boletos falsos, sites que imitam páginas oficiais, QR Codes adulterados e ofertas enganosas. Conhecer os sinais de alerta e manter a vigilância é essencial para evitar prejuízos financeiros significativos.
Em resumo, a evolução tecnológica tem sido aproveitada por criminosos para criar fraudes bancárias altamente elaboradas, exigindo que a população fique atenta e adote práticas de segurança digital rigorosas para se proteger.