Golpe do Falso Advogado Atinge Vítimas em Todo o Brasil com Prejuízos Milionários
Um esquema criminoso conhecido como golpe do falso advogado tem se espalhado por diversas regiões do Brasil, incluindo o estado do Tocantins, onde já causou prejuízos financeiros significativos. Criminosos se aproveitam de informações públicas de processos judiciais para se passar por profissionais da advocacia e aplicar crimes de estelionato contra clientes desavisados.
Modus Operandi dos Golpistas e Caso Concreto em Palmas
Os fraudadores acessam dados processuais disponíveis publicamente, obtêm os contatos das vítimas e enviam mensagens por aplicativos de comunicação, simulando ser advogados ou escritórios de advocacia reais. Eles informam que, para liberar valores esperados em processos, é necessário realizar pagamentos via transferências bancárias. Uma vez efetuadas, as quantias são direcionadas para múltiplas contas, dificultando o rastreamento e a recuperação dos recursos.
Um exemplo emblemático ocorreu com o executivo comercial Wallisson Ferreira, que possui uma ação na Justiça do Tocantins. Ele recebeu uma mensagem por aplicativo de alguém se passando pela advogada responsável pelo seu caso. Após seguir as instruções, teve sua conta bancária completamente esvaziada. Essa conta ficou hackeada, no mesmo dia registrei o BO na Polícia Civil. Eles continuam mandando mensagem, se passando por essa advogada, relatou a vítima, destacando a persistência dos criminosos.
Resposta Institucional: Ação Civil Pública e Audiência Pública
Diante do crescimento dessas fraudes, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins (OAB-TO) protocolou uma Ação Civil Pública na Justiça Federal em Palmas. A entidade citou instituições bancárias, empresas de telefonia e de tecnologia, argumentando que a facilidade na abertura de contas, a lentidão no bloqueio de valores via PIX e a demora na remoção de perfis falsos nas plataformas digitais contribuem para a efetivação dos golpes.
A OAB-TO solicitou tutela de urgência para obrigar as empresas a adotarem medidas imediatas, como:
- Bloqueio rápido e em cadeia de valores transferidos via PIX
- Remoção ágil de perfis falsos que se passam por advogados
- Maior rigor na abertura e fiscalização de contas bancárias e linhas telefônicas
- Criação de canais prioritários de atendimento entre as empresas e instituições como a OAB
Além disso, a ação pede a condenação solidária das empresas para pagamento de danos morais coletivos e individuais, devido ao abalo na confiança da sociedade, da advocacia e do sistema de Justiça. Para ampliar o debate, a OAB-TO realizará uma audiência pública no dia 29 de janeiro, a partir das 16 horas, em plataformas digitais, com o objetivo de buscar soluções para enfrentar esses crimes.
Estatísticas Alarmantes e Investigações em Curso
De acordo com a OAB Tocantins, estima-se que pelo menos 17,5 mil pessoas tenham sido vítimas desse tipo de fraude em todo o território nacional. No Tocantins, um escritório de advocacia em Palmas informou que aproximadamente 30 clientes caíram no golpe, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 300 mil. O advogado Leandro Freire de Souza enfatizou a necessidade de investigações mais aprofundadas: Com certeza a gente espera que tenham novas operações e esteja em curso um processo de investigação para deflagrar essa organização criminosa que vem praticando crimes não só no Tocantins, mas em todo o Brasil.
A Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP/TO) informou que a Polícia Civil, por meio da Divisão Especializada de Repressão a Crimes Cibernéticos, atua continuamente na investigação dessas fraudes. Em 2025, a Operação Espada de Themis resultou no indiciamento de 47 pessoas e na identificação de 20 vítimas de crimes virtuais. Outras investigações estão em andamento, mas detalhes não podem ser divulgados por questões de sigilo e estratégia policial.
Medidas Preventivas e Colaboração Institucional
A SSP/TO reforça que a principal medida preventiva é desconfiar de solicitações de transferências bancárias ou pagamentos enviados por aplicativos de mensagem. A recomendação é confirmar diretamente com o suposto emissor, por meio de chamada telefônica, vídeo ou presencialmente, antes de realizar qualquer transação.
O Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO) afirmou que acompanha, por meio do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional, situações que possam afetar a segurança do Judiciário. A instituição colabora com a Polícia Civil nas investigações e promove campanhas educativas para orientar a população sobre como se proteger desses golpes que utilizam dados processuais públicos.
Este caso evidencia a sofisticação dos crimes digitais e a importância de uma resposta coordenada entre instituições públicas, entidades de classe e a sociedade para combater fraudes que exploram a confiança em profissionais liberais e o sistema jurídico.