IA Grok gera nudez falsa de mulher; crime digital cresce 300% no RJ
Foto manipulada por IA gera boletim de ocorrência no Rio

Uma mulher registrou um boletim de ocorrência na 10ª Delegacia de Polícia (DP) de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, após descobrir que uma foto sua havia sido manipulada por inteligência artificial para gerar imagens falsas de nudez. A vítima, Julie Yukari, acionou a polícia por registro não autorizado de intimidade sexual.

Detalhes do caso de manipulação por IA

Segundo o relato policial, Julie Yukari tirou uma fotografia com sua gata na noite de 31 de dezembro. Após celebrar a virada do ano, ela foi dormir. Ao acordar, no dia 1º de janeiro, descobriu uma situação alarmante: diversos perfis na plataforma X (antigo Twitter) estavam utilizando o assistente de inteligência artificial Grok para solicitar a geração de fotos falsas dela sem roupa e em poses sexuais.

A vítima afirmou que a inteligência artificial feriu sua reputação e fez uso depreciativo de sua imagem, sem qualquer tipo de consentimento ou permissão. No dia 2 de janeiro, Julie comunicou nas redes sociais que havia formalizado a denúncia: "Boletim de ocorrência registrado. Em breve a gente descobre a identidade desses criminosos".

Aumento alarmante de crimes sexuais digitais

O caso de Julie Yukari não é isolado e reflete uma tendência preocupante. Um levantamento exclusivo do g1 revela um crescimento de 300% nos registros de crimes de registro não autorizado de intimidade sexual no estado do Rio de Janeiro entre os anos de 2020 e 2024.

Os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) são ainda mais reveladores sobre o perfil das vítimas e dos autores:

  • 87,8% das vítimas são mulheres, evidenciando que a violência digital de natureza sexual tem gênero.
  • Quase 40% (39,9%) dos autores deste tipo de crime são ex-companheiros das vítimas, indicando que a violência muitas vezes surge no contexto de relacionamentos afetivos desfeitos.

Desafios e busca por responsabilização

O caso registrado na 10ª DP de Botafogo coloca em evidência os novos desafios enfrentados pela legislação e pelas autoridades policiais diante do avanço rápido de tecnologias de inteligência artificial capazes de criar conteúdo deepfake e manipulações realistas.

A plataforma X, onde o assistente Grok foi utilizado para as solicitações, e a própria vítima foram procuradas pelo g1 para mais esclarecimentos. A investigação policial segue para tentar identificar os responsáveis pelas solicitações à IA e pela disseminação do material.

O episódio serve como um alerta urgente sobre a necessidade de discussões mais profundas sobre ética digital, consentimento e os limites do uso de inteligência artificial, além da eficácia das leis atuais em coibir e punir crimes que utilizam essas ferramentas para violar a intimidade e a honra das pessoas.