Estudante de Direito presa por 'sextorsão' em série que vitimou ao menos 15 pessoas em MT
Estudante presa por 'sextorsão' em série com 15 vítimas em MT

Estudante de Direito é presa por 'sextorsão' em série com ao menos 15 vítimas em Mato Grosso

Uma estudante de direito foi presa preventivamente durante uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira, 4 de setembro, em Tangará da Serra, cidade localizada a 242 quilômetros de Cuiabá, no estado de Mato Grosso. A jovem, que não teve sua identidade divulgada pelas autoridades, é suspeita de cometer extorsão em série, um crime conhecido como 'sextorsão', que teria vitimado ao menos 15 pessoas em diferentes estados brasileiros.

Modus operandi da 'sextorsão' envolvia dossiês em PDF com imagens íntimas

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, a estudante utilizava informações e imagens íntimas das vítimas para exigir pagamentos sob ameaça de divulgação do conteúdo sensível. Entre as vítimas estão homens e mulheres, especialmente casais liberais, que eram abordados por meio de mensagens em plataformas digitais. Após o primeiro contato, a suspeita submetia as vítimas a uma intensa pressão psicológica, visando coagir os pagamentos.

A estudante coletava imagens e dados pessoais em sites de relacionamento, montando um dossiê em PDF minuciosamente editado. O documento reunia fotos íntimas e informações pessoais detalhadas, como perfis em redes sociais e locais de trabalho das vítimas. Em seguida, ela exigia pagamento como condição para não divulgar o material comprometedor.

Operação policial apreende arquivos e mira segundo suspeito em Alta Floresta

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os policiais encontraram arquivos armazenados que, de acordo com a corporação, estão diretamente relacionados às extorsões. Entre os materiais apreendidos estavam registros de conversas com vítimas e mensagens que indicariam o envio de conteúdo sensível a terceiros. A polícia destacou que, em alguns casos em que não houve pagamento, o conteúdo íntimo chegou a ser divulgado publicamente, agravando o sofrimento das vítimas.

Além da prisão preventiva da estudante, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão e a quebra de sigilo em um endereço ligado a um segundo suspeito, morador de Alta Floresta. Este indivíduo se apresentava nas redes sociais como “hacker” e “designer gráfico”. As investigações apontam que o homem teria perfil compatível com a obtenção de dados pessoais e com a produção e diagramação do material utilizado para constranger e extorquir as vítimas.

Ordens judiciais foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá

As ordens judiciais, que incluíram mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e quebra de sigilo, foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá. A base para essas decisões foram as investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado e Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco).

O cumprimento das ordens judiciais contou com o apoio fundamental das equipes das Delegacias de Tangará da Serra e de Alta Floresta, demonstrando uma ação coordenada entre diferentes unidades policiais no estado. A operação visa combater crimes digitais complexos que exploram a vulnerabilidade emocional e a privacidade das vítimas.