Denúncias de crimes virtuais contra crianças e adolescentes crescem 91% em São Paulo
Crimes virtuais contra crianças aumentam 91% em SP

Denúncias de violações contra crianças e adolescentes no ambiente virtual disparam 91% em São Paulo

Navegar na internet, participar de fóruns online e trocar mensagens pelo direct do Instagram tornou-se parte da rotina de milhões de brasileiros. As redes sociais transformaram-se em espaços de convivência, mas também se converteram em ambientes propícios para a ação de criminosos. De acordo com o delegado-chefe da Polícia Civil de Campinas, Oswaldo Diez, denunciar constitui o primeiro passo fundamental para garantir a proteção contra crimes digitais — seja de forma anônima ou mediante registro formal de boletim de ocorrência.

Operação policial prende adolescentes por crimes sexuais via jogos online

Na manhã desta quarta-feira (1º), dois adolescentes, com idades de 14 e 15 anos, foram apreendidos durante uma operação policial direcionada contra crimes sexuais cometidos através da plataforma de jogos online Free Fire. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Capivari, no interior de São Paulo, e Ibiporã, no Paraná, após denúncias recebidas pela Polícia Civil.

A vítima foi uma menina de 13 anos, residente em Capivari, que foi acompanhada pela mãe até a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade, onde formalizou a denúncia que deu início às investigações. Os pais que perceberem que seus filhos estão sendo vítimas de qualquer ato indevido ou ilícito via internet devem procurar imediatamente uma delegacia de polícia, mesmo que possuam apenas suspeitas iniciais.

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"A polícia dispõe de mecanismos suficientes para averiguar, analisar aquela denúncia e tomar as providências jurídicas cabíveis em relação a esses fatos", afirmou o delegado Oswaldo Diez. "Os pais também podem implementar a proteção de dados relativamente aos seus filhos, orientando-os a não fornecer fotografias, especialmente imagens íntimas. A segurança técnica configura-se igualmente como aspecto crucial", reforçou o profissional.

Aumento alarmante de denúncias no estado de São Paulo

O Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos registrou um aumento expressivo no número de denúncias relacionadas a menores de idade e internet no Estado de São Paulo durante o ano de 2025. As denúncias de violação em ambiente virtual contra crianças e adolescentes saltaram de 433 ocorrências em 2024 para 829 casos no ano seguinte, representando um crescimento de 91%.

Thais Cremasco, advogada especialista em direitos humanos, destaca que o ambiente virtual deixou de ser meramente um espaço de entretenimento para funcionar como rede social ampla, abrindo um campo fértil para a atuação de criminosos. As consequências para as vítimas podem ser extremamente graves e duradouras.

"Nos crimes virtuais, a potencialidade de expansão e alcance de um número muito grande de pessoas é significativamente maior, porque esse vídeo ou situação pode ser compartilhado para centenas e milhares de indivíduos, gerando para a vítima uma situação ampliada de desconforto, tristeza e, frequentemente, problemas relacionados à saúde mental em decorrência dessas violências", explicou a profissional.

Detalhes da investigação e gravidade dos crimes

De acordo com a Polícia Civil, os adolescentes suspeitos se conheceram através da plataforma digital de games. Os crimes investigados incluem estupro de vulnerável, estímulo ao suicídio e armazenamento de imagens de abuso e exploração sexual infantil. As investigações apontam que o principal investigado, o adolescente de 15 anos residente no Paraná, utilizava jogos online e redes sociais para se aproximar da vítima.

Durante a operação policial, foram apreendidos diversos aparelhos eletrônicos. "No celular do adolescente apreendido no Paraná, existe um vasto material de abuso e exploração sexual infantil, e provavelmente, outras vítimas", informou a Polícia Civil. "Ao longo do tempo, passou a exercer controle psicológico intenso, com ameaças, intimidações, chantagens e coações, tudo ocorrido no ambiente digital. O comportamento praticado causou grave impacto emocional, com prejuízos significativos à saúde psicológica da vítima e à sua rotina escolar e familiar", alertou a corporação.

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O adolescente de 14 anos, natural de Capivari, foi identificado como envolvido no caso, especialmente no contexto de disseminação e manutenção do material obtido ilegalmente. Segundo a polícia, ele conhecia a vítima do ambiente escolar. "O adolescente de Capivari também participou das ações, especialmente na circulação de material ilícito e na relação com a vítima na escola", detalharam as autoridades.

Diante da gravidade extrema do caso, a Polícia Civil aprofundou as investigações, realizando análise técnica minuciosa de provas digitais, oitivas de testemunhas e atuação integrada com outros órgãos de segurança. A reportagem não conseguiu localizar a defesa dos adolescentes nem representantes da Garena, empresa responsável pelo jogo Free Fire.