Chefe de cibersegurança de Trump compartilhou dados confidenciais no ChatGPT
Madhu Gottumukkala, o chefe interino de cibersegurança da administração de Donald Trump, compartilhou documentos confidenciais do governo no ChatGPT, de acordo com informações divulgadas pelo site americano Politico na terça-feira, 27 de fevereiro. A revelação expõe uma grave contradição nas práticas de segurança digital de uma das principais agências de proteção cibernética dos Estados Unidos.
Violando proibições expressas
Os documentos em questão pertenciam à Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA), órgão responsável por proteger a infraestrutura crítica do país contra ameaças digitais. Esses arquivos estavam marcados como "apenas para uso pessoal" e, de forma ainda mais alarmante, havia uma proibição explícita contra o uso do ChatGPT em redes governamentais americanas. No entanto, investigações do Politico, baseadas em fontes ligadas ao governo, indicam que Gottumukkala encontrou uma brecha para utilizar a plataforma de inteligência artificial durante o início de seu mandato como diretor interino da CISA.
Contradição nas ações de segurança
Curiosamente, durante sua gestão, Gottumukkala ativou diversos dispositivos de alertas automáticos de segurança com o objetivo de impedir o roubo ou a divulgação acidental de arquivos governamentais provenientes de redes federais. Enquanto se preocupava publicamente com a proteção desses dados, ele simultaneamente fazia upload de arquivos confidenciais no ChatGPT, conforme relatado pelo Politico. Essa dualidade de ações levanta sérias questões sobre a consistência e a eficácia das medidas de segurança implementadas sob sua liderança.
Investigações em andamento
Autoridades do Departamento de Segurança Interna, ao qual a CISA está subordinada, estão atualmente avaliando se houve algum dano à segurança do governo como resultado dos uploads realizados por Gottumukkala. O ato de fazer upload de documentos governamentais não classificados, mas internos, em uma versão pública de um grande modelo de linguagem como o ChatGPT é considerado altamente problemático. Isso ocorre porque permite que o modelo seja treinado com essas informações, potencialmente facilitando o compartilhamento do conteúdo com outros usuários, o que poderia comprometer a confidencialidade dos dados.
Resposta oficial e histórico profissional
Em resposta às acusações, um porta-voz da CISA afirmou ao Politico que o uso do ChatGPT por Gottumukkala foi "de curto prazo e limitado", tentando minimizar a gravidade do incidente. Antes de sua nomeação para a CISA, Gottumukkala serviu como diretor de tecnologia da informação de Dakota do Sul, sob a então governadora Kristi Noem, um cargo que o preparou para responsabilidades em segurança digital em nível federal. Este episódio destaca os desafios contínuos na gestão de dados sensíveis em meio ao rápido avanço das tecnologias de inteligência artificial, exigindo maior vigilância e conformidade com protocolos de segurança estabelecidos.