Adolescente de São Roque sofre ameaças após ser confundido com suspeito da morte do cão Orelha
Jovem de SP ameaçado por confusão em caso de morte de cachorro

Adolescente de São Roque sofre ameaças após confusão em caso de morte de cão em SC

A Polícia Civil abriu um inquérito para identificar quem divulgou uma mensagem que atribuiu a um adolescente de São Roque (SP) participação na morte do cão Orelha, espancado por um grupo de jovens e encontrado agonizando no início de janeiro, em Praia Brava, Florianópolis (SC). A família do rapaz afirma que ele nunca esteve em Santa Catarina e teve dados pessoais expostos de forma caluniosa, incluindo nome completo, CPF e endereço.

Confusão de identidade gera onda de violência virtual

A situação ocorreu porque o nome do adolescente de São Roque é semelhante ao de um dos investigados pelo crime em Santa Catarina. As identidades dos dois adolescentes não serão divulgadas para preservar os menores de idade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O jovem relata que não consegue mais sair de casa sem sentir medo, pois ele e os familiares passaram a receber ameaças constantes pelas redes sociais após a divulgação indevida das informações.

Entre as mensagens recebidas estão frases como: "Nós vamos pegar vocês e fazer as mesmas coisas, só que pior", "Vai chegar o dia dele" e "Teu filho vai ficar apodrecendo no caixão". O adolescente desabafa: "Eu nasci em São Roque, nunca estive em Santa Catarina e, atualmente, estou sendo brutalmente atacado nas redes sociais, pois me confundiram com um dos investigados no caso Orelha. Eu não tenho mais vida social, não posso mais ir jogar bola, ir nadar, na academia, eu não posso comer um lanche, tomar um sorvete, porque nós estamos com medo. As aulas estão prestes a voltar e a gente está com medo, porque não sabemos como vai ser a reação das pessoas".

Família registra boletim de ocorrência e pede fim dos ataques

O pai do jovem também afirmou que a família está apreensiva e pediu o fim dos ataques: "A gente está pedindo encarecidamente para que as pessoas parem os ataques, leiam que o nome da gente é diferente do pessoal que está envolvido e que a gente nunca foi para Florianópolis. Fiz um BO por calúnia e ameaça. Precisamos que as pessoas entendam o que está acontecendo".

De acordo com a apuração, a família registrou um boletim de ocorrência por difamação, calúnia e ameaça no dia 26 de janeiro. Segundo a Polícia Civil, o inquérito vai apurar quem divulgou a mensagem com os dados pessoais do adolescente, exposição que pode configurar crimes como invasão de dispositivos eletrônicos ou de redes sociais. A polícia também reuniu prints das ameaças recebidas pela família para identificar e responsabilizar os autores.

Até esta terça-feira (3), as investigações descartam qualquer envolvimento do adolescente de São Roque com a morte do cão Orelha, já que não há indícios de que ele tenha estado em Santa Catarina.

Relembre o caso do cão Orelha

Um cachorro comunitário, carinhosamente chamado de Orelha, foi encontrado com ferimentos graves e agonizando na Praia Brava, em Florianópolis (SC), no início de janeiro. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 4 de janeiro. No dia 29 de janeiro, dois dos quatro adolescentes apontados como suspeitos das agressões de Orelha voltaram dos Estados Unidos, onde estavam em uma viagem pré-programada com a turma da escola. Ainda no aeroporto, os investigadores apreenderam os celulares deles, concluindo os mandados de busca e apreensão.

Já no dia 30 de janeiro, um dos investigados foi descartado da autoria após o inquérito concluir que o jovem não tinha envolvimento com os maus-tratos ao animal, que, conforme o laudo pericial, foi atingido na cabeça com um objeto contundente. Na busca por informações sobre os agressores do cão Orelha, a polícia já ouviu mais de 20 testemunhas e analisa cerca de mil horas de imagens, registradas por câmeras de segurança na Praia Brava.

Protestos mobilizam o país

O caso mobilizou o país e pessoas de diferentes estados se reuniram em protestos exigindo justiça pela morte do animal. Ativistas e protetores de animais fizeram protestos no domingo (1º) em Araçatuba, São José do Rio Preto, Sorocaba e Itapetininga (SP). Eles também reivindicaram punições mais rigorosas às pessoas que cometem maus-tratos no Brasil. Centenas de pessoas participaram de protesto na manhã de domingo (1º) no Parque Taquaral, em Campinas (SP), contra maus-tratos, negligência e impunidade em crimes contra animais.