Polícia indicia três por coação em caso que comoveu o Brasil
A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou três pessoas pelo crime de coação no inquérito que investiga a morte do cão comunitário Orelha. O animal faleceu após sofrer agressões na Praia Brava, em Florianópolis, em um caso que gerou comoção nacional e mobilizou protetores de animais em todo o país.
Movimento #JustiçaPorOrelha ganha força no Amapá
No Amapá, organizações não governamentais de defesa dos animais aderiram à campanha #JustiçaPorOrelha, que viralizou nas redes sociais. O Instituto Anjos Protetores, uma ONG amapaense, foi uma das entidades que se manifestou publicamente, exigindo providências das autoridades para que o caso não caia no esquecimento.
Gabriela Pereira, voluntária da instituição, afirmou que a visibilidade do caso expõe uma ferida aberta na legislação brasileira. "Infelizmente, casos como o do Orelha acontecem no Brasil inteiro e, pela brutalidade, ganham visibilidade na mídia nacional e internacional. Isso só reflete que temos crimes acontecendo contra os animais devido às leis enfraquecidas e penas brandas", declarou.
Quatro adolescentes identificados como suspeitos
Além dos três indiciados por coação, a polícia identificou quatro adolescentes como suspeitos do crime de maus-tratos que resultou na morte do cão. Nas redes sociais, celebridades, moradores e ativistas da causa animal continuam a cobrar medidas efetivas, pressionando para que a investigação avance e os responsáveis sejam punidos.
Gabriela Pereira defende que o rigor na aplicação das leis é fundamental para mudar o cenário de violência. "É preciso que as punições previstas no código penal sejam aplicadas de forma efetiva, independentemente da idade dos envolvidos. Casos como o daqui do Amapá, do cão que teve a pata amputada, ainda acontecem e não vão parar enquanto não houver endurecimento das leis", reforçou.
Casos recentes de maus-tratos no Amapá
O estado do Amapá registrou outros episódios graves de violência contra animais recentemente. Em janeiro deste ano, um cachorro teve uma das patas decepada com um facão em Macapá. Imagens do animal coberto de sangue chocaram a população, e a Polícia Civil local abriu investigação, mas até o momento ninguém foi preso.
Além disso, o caso do cãozinho Costelinha, ocorrido há mais de dez anos no bairro Buritizal, em Macapá, ainda é lembrado como um marco de brutalidade. O animal foi espancado com pauladas na cabeça, vindo a falecer após 27 dias devido a um Acidente Vascular Cerebral. O suposto autor, um ex-lutador de MMA, deu depoimento na delegacia, mas o episódio segue como símbolo da impunidade.
Repercussão nacional e cobrança por justiça
A mobilização em torno do caso Orelha evidenciou a insatisfação generalizada com a legislação atual sobre maus-tratos. Voluntários e ONGs argumentam que a falta de punições severas incentiva novos crimes, criando um ciclo de violência que precisa ser interrompido com urgência.
O envolvimento de diferentes regiões do Brasil, incluindo o Amapá, mostra que a causa animal ultrapassa fronteiras estaduais, unindo cidadãos em uma mesma demanda por mais proteção e justiça. As autoridades seguem investigando, sob a vigilância atenta de uma sociedade que clama por mudanças concretas.