Cão comunitário Orelha é torturado até a morte por adolescentes na Praia Brava, Florianópolis
Cão Orelha torturado até a morte por adolescentes em Florianópolis

Cão comunitário Orelha é torturado até a morte por adolescentes na Praia Brava

A Polícia Civil de Santa Catarina identificou três adultos suspeitos de envolvimento em ações de coação no processo que investiga a morte do cão comunitário Orelha, brutalmente agredido na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis. Eles são familiares dos quatro adolescentes apontados como suspeitos dos atos infracionais de maus-tratos, segundo a investigação, mas não tiveram os nomes divulgados publicamente.

Operação policial cumpre mandados de busca e apreensão

Nesta segunda-feira (26), uma operação policial cumpriu três mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos e também de seus responsáveis legais. A ação faz parte das investigações sobre o crime de coação no curso do processo, previsto no Art. 344 do Código Penal. A delegada responsável pela investigação, Mardjoli Valcareggi, afirmou que uma denúncia sobre possível coação de testemunha por um policial civil, pai de um dos suspeitos, está sendo analisada, mas negou qualquer envolvimento direto de um policial no crime em si.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, informou que o mandado contra um adulto buscava localizar uma arma supostamente usada para ameaçar uma testemunha. No entanto, a arma não foi encontrada, apenas certa quantidade de drogas. Há indícios de que quatro adolescentes tenham praticado as agressões contra o cão, e três adultos estariam envolvidos na coação durante o processo investigativo.

Adolescentes são principais suspeitos da agressão fatal

Os policiais informaram que os principais suspeitos de agredir o cão, que tinha aproximadamente 10 anos, são quatro adolescentes. Segundo o delegado-geral, dois deles estão em Florianópolis e foram alvos da operação — os demais estão nos Estados Unidos para uma viagem pré-programada. Aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por análise forense. Pessoas estão sendo ouvidas nesta segunda-feira como parte das diligências.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que acompanha de perto as investigações, destacando a gravidade do caso que envolve maus-tratos animais e possível interferência no processo legal.

Detalhes da morte trágica de Orelha

A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro, quando moradores relataram o desaparecimento do cachorro. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam de Orelha o encontrou durante uma caminhada, caído e agonizando. Ela recolheu o animal e o levou a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, não houve alternativa além da eutanásia.

Em entrevista à NSC TV, o empresário e morador da região, Silvio Gasperin, explicou como tudo aconteceu e se emocionou ao falar sobre o caso. “A Fátima ficou sabendo, mas não encontrou ele de imediato. Em uma caminhada, achou ele jogado e agonizando. Recolheu, levou ao veterinário… precisa de justiça, né?”, disse, refletindo o sentimento da comunidade.

Quem era Orelha e seu papel na comunidade

A Praia Brava tem três casinhas destinadas aos cães que se tornaram mascotes da região, e Orelha era um deles. O aposentado Mário Rogério Prestes, que acompanhava de perto os animais, contou: “Muita gente vinha trazer comida para eles, mas eu era o responsável por alimentá-los todos os dias. Eles não podiam ficar sem comida e sem cuidado”.

Além de conviver com os moradores, Orelha também interagia com outros cães do bairro. A empresária Antônia Souza, tutora da cadela Cristal, explicou que gostava de passear com a cachorra pela região e encontrar os demais animais. “Eles conviviam com a gente. Eles tinham uma vida na Praia Brava. Todo mundo que mora aqui, ou vem com frequência, sabe de quem estamos falando: os ‘pretinhos’”, afirmou, destacando a integração dos animais na vida local.

Em nota divulgada na sexta-feira (17), a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o papel afetivo do animal: “Orelha fazia parte do cotidiano do bairro há muitos anos e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo simples, porém muito querido, da convivência e da relação de cuidado que muitos mantêm com o espaço e com os animais que aqui vivem.”

A morte de Orelha entristeceu profundamente os moradores, que agora aguardam justiça enquanto as investigações avançam para responsabilizar os envolvidos nesse ato de crueldade.