Caso Orelha: Um mês da morte do cão comunitário e investigação segue sem imagens das agressões
Caso Orelha: um mês da morte do cão e investigação em Florianópolis

Caso Orelha: Um mês da morte do cão comunitário e investigação segue sem imagens das agressões

Nesta semana, completa um mês da morte do cão Orelha, um animal de rua comunitário que foi encontrado agonizando na Praia Brava, região nobre de Florianópolis, e não resistiu aos ferimentos. O caso, que chamou a atenção do país para os maus-tratos a animais, segue sendo investigado pela Polícia Civil, com o principal objetivo de descobrir quem e como o cachorro foi morto.

Investigação aponta agressão e envolvimento de adolescentes

A polícia reiterou que não possui imagens que mostrem as agressões sofridas pelo cão Orelha. No entanto, a investigação aponta que ele foi vítima de uma violenta agressão, e a corporação está apurando o envolvimento de adolescentes no crime. Adultos, parentes dos jovens, foram indiciados por coação, acusados de tentar interferir no andamento do processo.

Os nomes, idades e localização dos suspeitos de atacar Orelha não foram divulgados pela investigação, tendo em vista que o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos. A Polícia Civil justificou ter chegado aos suspeitos pela análise de câmeras de segurança e depoimentos de moradores da região.

Linha do tempo dos eventos relacionados ao caso

O caso desencadeou uma série de eventos e investigações paralelas na Praia Brava. Confira a cronologia dos principais fatos:

  1. 4 de janeiro: O cão Orelha é achado agonizando sob um carro na Praia Brava. Ele é levado a uma clínica veterinária e morre no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.
  2. 6 de janeiro: Entre 0h e 1h, ocorre a tentativa de afogamento do cão Caramelo, com imagens mostrando o animal e pelo menos três adolescentes na Praia Brava. A investigação posterior descartou que fossem os mesmos investigados no caso do Orelha.
  3. 11 de janeiro: Porteiro da região é alvo de ofensas, e há invasão a um quiosque com furto de bebidas na Praia Brava. A polícia investiga se há relação com os suspeitos.
  4. 14 de janeiro: Explosão de uma bomba em uma residência, também sendo investigada para possíveis conexões.
  5. 16 de janeiro: Polícia Civil toma conhecimento do caso após denúncias de moradores.
  6. 17 de janeiro: Moradores fazem protesto cobrando investigação.
  7. 19 de janeiro: Polícia divulga que investiga quatro adolescentes pelas agressões que levaram à morte do cão Orelha.
  8. 26 de janeiro: Operação cumpre três mandados de busca e apreensão em endereços de investigados, incluindo casas dos adolescentes e de seus responsáveis legais.
  9. 27 de janeiro: Em coletiva, polícia revela que os adolescentes investigados tentaram afogar outro cachorro, o Caramelo, e que Orelha foi atingido na cabeça com objeto contundente. Dois empresários e um advogado, pais e tio dos adolescentes, são indiciados por coação.
  10. 28 de janeiro: Vara da Infância e Juventude determina que redes sociais inibam divulgação de conteúdos que identifiquem os adolescentes.
  11. 29 de janeiro: Dois adolescentes retornam ao Brasil após viagem aos Estados Unidos e prestam depoimento.
  12. 30 de janeiro: Polícia informa que não investiga mais um dos quatro adolescentes suspeitos, por falta de evidências.
  13. 1º de fevereiro: Atos em diversas capitais do país cobram justiça e celeridade nas investigações, além de penas mais duras para maus-tratos a animais.

Desafios e andamento atual da investigação

A Polícia Civil analisa quase mil horas de gravações feitas por câmeras de segurança na região da Praia Brava no período das agressões. Mais de 20 pessoas já foram ouvidas, mas um dos principais desafios é a ausência de imagens do momento das lesões sofridas por Orelha.

Conforme a polícia, registros de outros episódios na mesma região e período, que também teriam sido causados por adolescentes, ajudam na investigação. A corporação solicitou laudo de exame de corpo de delito do cão Orelha para a Polícia Científica, visando esclarecer detalhes dos ferimentos.

O caso continua a mobilizar a comunidade e autoridades, destacando a necessidade de medidas eficazes contra a violência animal e a importância da apuração rigorosa, mesmo diante das limitações probatórias.