Investigação sobre morte de cão Orelha em Florianópolis avança com novos depoimentos
Caso cão Orelha: polícia ouve adolescentes e analisa mil horas de vídeo

Caso Orelha: investigação policial avança com depoimentos e análise de vídeos

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que não há indícios de que as agressões que levaram à morte do cão comunitário Orelha, ocorridas em Florianópolis, tenham sido motivadas por grupos criminosos que utilizam redes sociais para promover desafios entre adolescentes. As investigações continuam em andamento, com a perspectiva de novos depoimentos nas próximas etapas.

Detalhes do caso e andamento das oitivas

Orelha, um cachorro que recebia cuidados de diversos moradores no bairro turístico da Praia Brava, faleceu após ser agredido no dia 4 de janeiro. A polícia investiga um grupo de quatro adolescentes suspeitos de envolvimento no episódio de maus-tratos.

Conforme esclareceu o delegado Renan Balbino, da Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei (Deacle), dois jovens já prestaram depoimento e outros dois serão ouvidos em breve. A corporação optou por não divulgar datas, horários ou locais específicos das oitivas, mantendo o sigilo processual.

Um adolescente que inicialmente teve sua imagem vinculada ao caso agora atua como testemunha, após a família apresentar comprovações de que ele não se encontrava na Praia Brava durante o período relevante para a investigação. A polícia confirmou que ele não aparece nos vídeos analisados pela equipe.

Próximos passos e desafios da investigação

Os adolescentes restantes a serem ouvidos devem comparecer na próxima semana, acompanhados por um responsável legal, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A presença de advogado é facultativa. Dois dos investigados retornaram ao Brasil na quinta-feira, 29 de fevereiro, após viagem ao exterior.

No mesmo dia do retorno, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão, recolhendo celulares e roupas dos jovens. Anteriormente, outros mandados já haviam sido executados em endereços de adolescentes que permaneciam no país.

Um dos principais obstáculos enfrentados pela investigação é a ausência de imagens diretas do momento exato do espancamento. Para contornar essa limitação, a Polícia Civil analisa aproximadamente mil horas de gravações de câmeras de segurança da região da Praia Brava, referentes ao período das agressões.

Um relatório complementar de investigação está em fase de elaboração e deve contribuir para o esclarecimento do caso. Registros de outros episódios de vandalismo e confusão na mesma região e período, supostamente envolvendo adolescentes, estão sendo utilizados para cruzamento de informações.

Análise técnica e apurações paralelas

A Polícia Científica trabalha no aprimoramento das imagens obtidas, visando possibilitar uma eventual comparação facial entre os suspeitos e indivíduos que aparecem nos vídeos. Além disso, a extração de dados dos aparelhos celulares apreendidos pode auxiliar no preenchimento de lacunas investigativas.

Os adolescentes também são investigados por possível participação em outros atos ilícitos registrados no mês na região, incluindo furto de bebida alcoólica, danos ao patrimônio e perturbação do sossego. Cada ocorrência será apurada separadamente, em autos próprios de apuração de ato infracional.

O delegado Balbino destacou a complexidade do caso, mencionando que "é um grupo muito grande de adolescentes. Aparecem muitas pessoas nos vídeos que a gente tem".

Indiciamento de adultos e contexto adicional

Paralelamente, três adultos suspeitos de envolvimento em ações de coação no processo que investiga a morte do cão Orelha foram indiciados pela Polícia Civil. Os investigados são pais e um tio dos adolescentes, sendo dois empresários e um advogado. Os nomes não foram divulgados.

A corporação informou que o crime de coação foi cometido contra o vigilante de um condomínio que possuía uma fotografia com potencial para colaborar com a investigação principal.

A polícia reforçou que segue com o trabalho de apuração de ato infracional relacionado aos maus-tratos, além de outros delitos que possam estar conectados ao caso. Todo o procedimento corre sob sigilo absoluto, conforme as diretrizes do ECA, que impede a divulgação de nomes, idades e localizações dos suspeitos.