Manifestantes ocupam Avenida Paulista em ato por Justiça no caso do cão Orelha
Ato na Paulista pede Justiça por cão Orelha agredido em SC

Manifestantes ocupam Avenida Paulista em ato por Justiça no caso do cão Orelha

Neste domingo (1°), a Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, foi palco de uma manifestação emocionante em defesa dos direitos animais. Centenas de pessoas se reuniram em frente ao Masp para pedir Justiça no caso do cão Orelha, vítima de graves maus-tratos em Santa Catarina. O ato público destacou a comoção nacional e internacional gerada pela morte do animal, que foi espancado até a morte na Praia Brava, uma das áreas mais nobres de Florianópolis.

Detalhes do crime que chocou o país

O cão Orelha, um animal comunitário muito querido na região, foi agredido no dia 4 de janeiro. Ele foi encontrado em estado grave, com ferimentos profundos na cabeça, causados por um objeto contundente. Após ser levado a uma clínica veterinária, o animal não resistiu e teve que ser submetido à eutanásia no dia seguinte, em razão da gravidade das lesões. A polícia investiga também uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo, na mesma praia, supostamente pelo mesmo grupo.

Investigação policial e suspeitos

A Polícia Civil de Florianópolis identificou quatro adolescentes de classe média alta como suspeitos do crime. Dois deles haviam viajado aos Estados Unidos com suas famílias, mas retornaram ao Brasil na última quinta-feira (29) devido ao andamento das investigações. Na mesma data, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão, recolhendo celulares dos jovens. Um monitoramento em conjunto com a Polícia Federal permitiu confirmar a antecipação do voo de retorno.

Os nomes dos adolescentes não foram divulgados, pois o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante sigilo absoluto em casos envolvendo menores de 18 anos. Além disso, três adultos – dois pais e um tio dos suspeitos – foram indiciados por suposta coação a uma testemunha, um vigilante de condomínio que possuía uma foto relevante para o caso.

Repercussão e exigências dos manifestantes

Os manifestantes na Avenida Paulista carregavam cartazes e faixas com mensagens de repúdio à violência animal e pedidos de prisão dos responsáveis. Eles destacaram que o caso transcendeu as fronteiras nacionais, ganhando espaço na imprensa internacional. A Justiça já determinou a exclusão de conteúdos que identifiquem os adolescentes suspeitos, mas os ativistas exigem celeridade no processo e punição exemplar.

A delegacia responsável pelo caso, a Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE), abriu um auto de apuração de ato infracional. A polícia analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança e aguarda o laudo de corpo de delito do cão Orelha para esclarecer todas as circunstâncias da morte.

Quem era Orelha e o impacto de sua morte

Orelha era um cão comunitário que vivia há cerca de 10 anos na Praia Brava, cuidado por moradores e comerciantes. Conhecido por sua docilidade e comportamento brincalhão, ele se tornou um mascote da região, amado por frequentadores e turistas. Sua morte violenta não só gerou comoção, mas também levantou debates sobre a proteção animal e a impunidade em casos de maus-tratos.

O ato na Avenida Paulista simboliza a crescente mobilização da sociedade civil em defesa dos direitos dos animais e a demanda por um sistema judicial mais eficaz nesses casos. Enquanto a investigação segue seu curso, a memória de Orelha continua a inspirar ações e protestos por todo o país.