Amapá enfrenta crescimento alarmante de maus-tratos a animais
O estado do Amapá registrou um aumento significativo no número de ocorrências de maus-tratos a animais, com um crescimento de 27% em apenas um ano. Segundo dados oficiais da Polícia Civil, os casos subiram de 69 registros em 2024 para 88 em 2025, evidenciando uma tendência preocupante que demanda atenção imediata das autoridades e da sociedade.
Macapá concentra a maior parte dos casos
Na capital Macapá, os números são ainda mais expressivos, com os registros saltando de 44 para 55 no mesmo período. Esse cenário coloca a cidade no epicentro do problema, exigindo ações coordenadas para combater a violência contra os animais.
O delegado Leonardo Leite, coordenador das delegacias da Polícia Civil de Macapá, explica que a legislação brasileira se tornou mais rigorosa nos últimos anos, o que pode estar influenciando o aumento das denúncias. "Desde 2020, a pena para maus-tratos contra cães e gatos passou a ser de quatro a cinco anos de prisão. Não é mais considerado um crime de menor potencial ofensivo", afirmou o delegado.
Denúncias são fundamentais para a ação policial
Leite reforça que a atuação da polícia depende diretamente das denúncias feitas pela população. Sem o registro formal da ocorrência, muitos casos de maus-tratos permanecem invisíveis e não chegam ao conhecimento das autoridades competentes.
"É fundamental que o registro seja realizado, seja presencialmente em qualquer delegacia ou pela internet. Quando há provas, como fotos e vídeos, elas fortalecem a investigação", destacou o coordenador. Essa orientação visa encorajar os cidadãos a reportarem situações de abuso, garantindo que os responsáveis sejam responsabilizados.
Contexto nacional e mobilização local
O aumento dos casos no Amapá ocorre em meio à repercussão nacional da morte do cachorro comunitário Orelha, espancado por adolescentes em Florianópolis, Santa Catarina. O crime gerou uma onda de indignação nas redes sociais e mobilizou milhares de pessoas em defesa de punições mais severas para os agressores.
Por se tratar de menores de idade, os quatro envolvidos não respondem criminalmente, mas cumprem medidas socioeducativas previstas em lei. "Eles cometeram um ato infracional análogo ao crime de maus-tratos e vão cumprir medidas socioeducativas previstas em lei", explicou o delegado.
Em Macapá, defensores da causa animal adotaram o movimento nacional #JustiçaPorOrelha e organizaram uma manifestação para pedir justiça pelo cãozinho. O evento está marcado para acontecer no Parque do Forte, reforçando a importância da conscientização e da pressão social na luta contra os maus-tratos.
Esse cenário destaca a necessidade de uma abordagem integrada, envolvendo legislação, fiscalização e participação popular, para proteger os animais e garantir que os crimes sejam devidamente punidos.