O álbum de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 já tomou conta do Brasil, gerando mais comoção do que os próprios jogos. Com 980 cromos para colecionar, o custo pode ultrapassar 7 mil reais para quem tenta completar sozinho, mas as feiras de troca e parcerias entre amigos reduzem drasticamente o gasto. A Panini estima vender 140 milhões de figurinhas, cada pacote com sete unidades por 7 reais. O fenômeno, que mistura nostalgia, interação social e até cinema, promete movimentar o país até o fim da Copa em julho.
O custo da coleção
Completar o álbum sem repetições custaria cerca de 1.004 reais, 51% a mais que em 2022, quando havia 670 espaços. No entanto, a realidade é bem diferente: as repetições são inevitáveis. Segundo a Teoria das Probabilidades, a primeira figurinha é sempre inédita, mas as chances de repetição aumentam com o tempo. No final, a probabilidade de abrir um pacote e encontrar uma figura necessária é de apenas 1 em 980. Por isso, a colaboração é essencial. Ter um parceiro de trocas reduz em 30% a quantidade de envelopes necessários; com dois parceiros, a redução chega a 46%; e com dez pessoas, 68% menos envelopes são necessários. Sozinho, o custo pode chegar a mais de 7.000 reais, enquanto com dois parceiros cai para 4.600 reais, e com dez, para cerca de 2.500 reais.
O papel das feiras de troca
As feiras de troca, cada vez mais numerosas e populosas, são o coração do fenômeno. Elas transformam a coleção em um evento social, onde amigos e estranhos se ajudam mutuamente. As redes sociais também alimentam essa busca insana por figurinhas raras. O escritor Marcelo Duarte, autor de "O Álbum dos Álbuns de Figurinhas das Copas", destaca que a tradição vem de longe: no Brasil, o primeiro livreto colecionável surgiu em 1934, com Leônidas da Silva. Ele também revela curiosidades, como o álbum "Balas Futebol 1950", lançado após a derrota do Brasil para o Uruguai no Maracanazo, que ainda assim fez sucesso.
Álbum e cinema
A febre também inspira o cinema. Em 14 de maio estreia o filme "O Gênio do Crime", baseado no clássico infantojuvenil de João Carlos Marinho, de 1969. No livro original, a trama gira em torno de uma figurinha de Rivellino; no filme, o craque dá lugar a Vinicius Jr. A mudança mostra como o fascínio pelos álbuns se renova com o tempo. A Panini ainda oferece um kit de correções após a Copa, com figurinhas de jogadores que não estavam na versão original, como Rodrygo, que se lesionou e não foi convocado.
O pontapé inicial foi dado, e a febre só vai crescer até julho, quando a Copa terminar. Mas, como tradição, o álbum renascerá em 2030, provando que o colecionismo é eterno.



