A nova cara da "praia" dos paulistanos: shoppings como refúgios urbanos multifuncionais
O estado de São Paulo conta atualmente com 197 shoppings centers distribuídos por 75 cidades, conforme um censo divulgado nesta quarta-feira (4) pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Os números ajudam a dimensionar o peso colossal desse tipo de empreendimento na rotina dos paulistas: há, em média, um shopping para cada 225 mil habitantes, um dado que evidencia a penetração profunda desses espaços no cotidiano.
Transformação do perfil: do varejo puro ao mix de experiências
O levantamento da Abrasce aponta mudanças significativas no perfil dos centros comerciais ao longo das décadas. Houve um crescimento expressivo do setor de serviços e entretenimento, que hoje divide o protagonismo com o varejo tradicional. Segundo o presidente da Abrasce, Glauco Humai, as compras ainda são o principal motivo que leva as pessoas aos shoppings, representando 49% das visitas, mas esse cenário está em transformação.
"A motivação principal ainda da ida ao shopping são as compras, com 49%, seguido de serviço, entretenimento e alimentação. Quando a gente soma esse bloco, ele é maior que compras: soma 51%. Então a gente pode dizer que existe uma procura muito grande dos paulistanos por outras questões que não apenas compras", analisa Humai.
Parte integrante da vida urbana desde os anos 1960
Os shoppings fazem parte da vida do paulistano desde a década de 1960, quando o primeiro do Brasil foi inaugurado na capital, na Avenida Faria Lima. Por muitos anos, os corredores eram dominados por lojas de roupas, calçados, acessórios e eletrodomésticos, com as exceções ficando por conta dos cinemas e das praças de alimentação.
De acordo com o censo, esse modelo foi sendo adaptado ao longo do tempo para acompanhar mudanças no estilo de vida dos consumidores, cada vez mais atentos à saúde e ao bem-estar. Hoje, 90% dos shoppings do estado oferecem clínicas de estética, e mais de 70% contam com academias, agências de viagem e farmácias, refletindo uma busca por conveniência e soluções integradas.
Desafios e adaptação: os que resistem ao tempo
Em um estado com tantos empreendimentos desse tipo, nem todos conseguem se manter. No bairro de Artur Alvim, na Zona Leste da capital, um shopping faliu nos anos 1990 e deixou um grande espaço vazio no meio do bairro. Na Mooca, outro exemplo chama atenção: um shopping abandonado há 13 anos em plena Avenida Paes de Barros, um dos endereços mais valorizados da região.
Os shoppings que resistem ao tempo perceberam que o sucesso não depende apenas de um mix variado de lojas e serviços. Em uma cidade marcada por extremos climáticos, como São Paulo, os shoppings também passaram a funcionar como refúgio contra o calor intenso ou a chuva.
"Em São Paulo, sobretudo, a gente tem umas especificidades que favorecem esse equipamento, que é a dificuldade de locomoção, aspectos climáticos e de segurança, que fortalecem as características de um shopping", explica Humai. "O shopping tem temperatura constante, é muito seguro, tem acesso fácil com estacionamento e modais de transporte público, além de um mix de serviços, compras e entretenimento muito amplo, que faz com que a pessoa, no corre do dia, consiga ir a um local e resolver a sua vida".
Projeções para o futuro: crescimento impulsionado por fatores econômicos e eventos
Para os próximos anos, a Abrasce projeta crescimento no setor. A associação estima que, em 2026, o faturamento dos shoppings tenha aumento de quase 1,5%. A expectativa é de que esse avanço seja impulsionado pelo aumento do orçamento das famílias com a isenção do Imposto de Renda e também pela Copa do Mundo, que tradicionalmente movimenta bares e restaurantes nos dias de jogos.
Essa evolução consolida os shoppings não apenas como espaços de consumo, mas como verdadeiros centros de convivência e serviços, adaptados às necessidades e aos ritmos da vida urbana contemporânea em São Paulo.